Mapa ampliou as estimativas da renda agropecuária para MT

A produção agropecuária de Mato Grosso recebeu em junho a maior projeção de renda para a produção de 2014. Conforme a Assessoria de Gestão Estratégica, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (AGE/Mapa), a receita do segmento, também chamada de Valor Bruto da Produção (VBP), deve somar R$ 57,10 bilhões, cifras que se confirmadas nos próximos meses, serão 5,33% superiores aos R$ 54,21 bilhões consolidados no ano passado. O VBP pode chegar, no país, a R$ 448,9 bilhões em 2014, representando um aumento de 2,5% se comparado ao do ano passado. Em maio, a projeção para o VBP estadual era de R$ 56,28 bilhões. A agricultura é a responsável pela revisão altista da estimativa.

O VBP é calculado a partir dos dados da safra do ano e dos preços recebidos pelos produtores. Resulta do volume produzido multiplicado pelo valor médio do mercado no período em que a análise é feita. Os dados referentes a junho foram divulgados ontem.

No campo, Mato Grosso segue como o maior produtor de grãos e fibras do país há três anos consecutivos e pela segunda vez vai assegurando também o maior VBP do país, ao superar o estado de São Paulo. Conforme esse novo levantamento do Mapa, considerando apenas a agricultura e os cinco cultivos mais importantes em Mato Grosso, o VBP deve somar em 2014, R$ 45,71 bilhões ante R$ 42,10 bilhões do ano passado, o que deve gerar uma expansão de 8,57%. No mês passado, a projeção para a receita agrícola estadual foi de R$ 44,82 bilhões. Em São Paulo, por exemplo, a receita deve ficar em R$ 44,26 bilhões, queda de 2,10% ante o consolidado de 2013, R$ 45,21 bilhões.

O incremento da renda agrícola mato-grossense reflete o mercado, com o ganho de preços das principais commodities, bem como o avanço da oferta na safra atual, especialmente pelo crescimento da produção de soja e algodão. As duas culturas juntas somam renda de R$ 34,89 bilhões e representam 76,32% do VBP da agricultura local (R$ 45,71 bilhões).

A maior variação positiva vem do algodão. Depois de perder o segundo lugar do ranking dos maiores VBPs do Estado, no ano passado, para o milho, a fibra exibe projeção de expansão de 33,50% na comparação entre a estimativa de renda desta safra, R$ 10,48 bilhões, ante o realizado em 2013, R$ 7,85 bilhões. A soja deve gerar R$ 24,41 bilhões nesse ano, avanço de 9,90% sobre o realizado em 2013, R$ 22,21 bilhões. A soja, mesmo com projeção maior que o consolidado no ano passado, apresenta correção negativa sobre os VBPs mensais. Em maio a projeção do Mapa apontou para um faturamento de R$ 24,51 bilhões, variação que reflete os preços do mercado.

Das cinco principais culturas de Mato Grosso – soja, algodão, milho, arroz e cana-de-açúcar – apenas duas seguem com projeção de renda abaixo do realizado no ano passado: milho e a cana, com recuos de 9% e 9,92%, respectivamente. Ao contrário da cana, o milho teve correções pontuais de preços e produção entre maio e junho e isso aliviou a perda de receita mensal, no mês passado a queda anual do faturamento chegou a 13%. Conforme o Mapa, o milho que somou receita recorde de R$ 9,34 bilhões no ano passado, deve somar R$ 8,50 bilhões em 2014. Em maio a projeção apontava para um VBP de R$ 8,17 bilhões. Como a colheita do cereal está no início ainda é provável que o peso da maior oferta, bem como o desenvolvimento da safra norte-americana (que é a maior do mundo) e a reação dos preços, poderão alterar as estimavas ao milho.

A cana deve somar R$ 1,18 bilhão, ante R$ 1,31 bilhão no ano passado e o arroz, cuja alta projetada é de 7,98%, deve atingir R$ 369,65 milhões de receita ante R$ 342,32 milhões do ano passado.

VBP DA PECUÁRIA – Das quatro atividades do segmento – bovinocultura de corte e de leite, avicultura e suinocultura, apenas a receita advinda da produção de leite tem perspectiva de crescimento neste ano, em Mato Grosso. Conforme o Mapa, a receita deve aumentar 4,64% em relação ao ano passado, já que a projeção aponta para faturamento de R$ 631,51 milhões, ante o realizado em 2013 que foi de R$ 603,45 milhões. Até o momento, o ganho de preço pelo produtor é que tem sustentado a projeção. Conforme acompanhamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), entre outubro e abril dos anos 12/13 e 13/14, o preço médio do leite pago ao produtor aumentou 23,72%, passando de R$ 0,647/litro para R$ 0,800/l.

Já na bovinocultura de corte, até como efeito dos recentes embargos à carne produzida em Mato Grosso – impacto de um caso atípico do ‘Mal da Vaca Louca’ em março – deve somar receita de R$ 8,51 bilhões, 3,62% menor que o faturado no ano passado, R$ 8,83 bilhões.

As aves apresentam projeção negativa de 15,78% em relação ao ano passado, devem somar R$ 1,76 bilhão ante R$ 2,09 bilhões. Os suínos têm a maior estimativa de queda: 16,18%, de R$ 568,85 milhões para R$ 467,77 milhões.

O VBP da pecuária deve somar, em Mato Grosso, R$ 11,38 bilhões, ante R$ 12,10 bilhões do ano passado.

Por: Marianna Peres
Fonte: Diário de Cuiabá

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