Áreas inundáveis é tema de palestra com pesquisadora do Inpa

Aspectos sustentáveis e de vulnerabilidade foram focos centrais da mesa redonda

“É fato que 30% da bacia amazônica é composta por áreas úmidas”. Com esta frase a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Maria Tereza Piedade, iniciou na tarde deste domingo (27), último dia da 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a mesa-redonda intitulada “Vulnerabilidade e perspectivas do uso sustentável de ecossistemas de áreas inundáveis na Amazônia”. Participaram também os pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Carolina da Silva, e da Universidade de São Paulo (USP), Antônio Camargo.

De acordo com a pesquisadora do Inpa, essas áreas oferecem tantos benefícios que é até difícil computar, sendo consideradas de alto valor em termos de serviços ambientais do mundo, mais até do que florestas e savanas (locais com estação seca e longa, onde há vegetações herbáceas ou rasteiras e escassas árvores).

“Podemos citar como alguns dos benefícios a recarga de aquíferos, a purificação e fornecimento da água, a regulagem do microclima, o ecoturismo, além da estocagem periódica de água e sua lenta devolução para os igarapés, córregos e rios conectados (efeito esponja) e o oferecimento de subsídios naturais para populações tradicionais”, explicou Piedade.

Conhecimento

Em relação ao conhecimento sobre esses ambientes ser suficiente, Piedade é firme em dizer que a compreensão sobre as áreas inundadas é razoável. “Atualmente, posso dizer que contamos com mais de dois mil artigos publicados e quatros livros. Então, é fato dizer que o conhecimento já existe e ele deve ser usado de forma racional”, salientou.

Em matéria divulgada pelo Inpa, cientistas de todo o Brasil se reuniram na elaboração de um documento intitulado “Definição e Classificação das Áreas Úmidas (AUs) Brasileiras: Base Científica para uma Nova Política de Proteção e Manejo Sustentável” para definir o conceito de áreas úmidas e alertar para os riscos que essas áreas vêm sofrendo. Esses documentos podem ser encontrados na versão completa e na versão resumida.

Barragens

Outro assunto bem comentado durante a palestra foi o impacto da construção de barragens no Brasil. Nas palavras da pesquisadora Carolina da Silva, o Brasil não deveria está construindo nenhuma barragem. Porém, três já estão em andamento. Ela explicou que a construção dessas barragens gerará impactos gigantescos, que irão desde a mudança da qualidade da água e perda de biodiversidade e vegetação, até o impedimento da migração de algumas espécies de peixes e mudanças nas características ecológicas do Rio.

SBPC 2014

Superando as expectativas, a programação científica contou com 6.531 inscritos para assistir a quase duzentas atividades, entre minicursos, conferências, mesas-redondas, encontros e sessões especiais. Para as demais atividades o campus da Ufac recebeu, diariamente, cerca de 10 mil pessoas.

Por: Juan Matheus
Fonte: INPA 

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