Especialista defende produção de abelhas sem ferrão na Amazônia

Mel amazônico poderia ser exportado para outros países, acredita. ‘A grande reserva de abelhas sem ferrão está na Amazônia’, diz.

A produção e exportação do mel de abelhas sem ferrão na Amazônia podem ser uma alternativa econômica viável para as comunidades da região. A ideia foi defendida pelo coordenador do Departamento de Entomologia do Instituto Nacional Pesquisas da Amazônia (Inpa) e especialista em interações abelha-planta e taxonomia, Márcio Luis de Oliveira, em uma conferência sobre o tema, neste sábado (26), durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre em Rio Branco.

Segundo o especialista, embora as abelhas sem ferrão possam ser encontradas em praticamente todos os países tropicais, não existe atualmente população mais diversa que a encontrada na Amazônia, com aproximadamente 150 catalogadas até o momento. Isso colocaria a Amazônia em vantagem na produção do mel nativo.

“No México havia, mas as abelhas desapareceram por conta do crescimento das cidades, desmatamento. Então a grande reserva de abelhas sem ferrão está na Amazônia, temos uma quantidade enorme de espécies e poderíamos canalizar isso aí para melhoria de renda, da qualidade de vida da população”, enfatiza.

Oliveira acredita que se bem organizada, a ideia poderia ganhar o mercado internacional por conta do cárater “exótico” do produto.

“Os EUA não têm esse mel, o Japão não tem, Europa não tem, então se isso entra na mesa dessas pessoas eles pagariam um preço alto, porque é uma coisa exótica. Assim como nós pagamos hoje por um salmão. Imagina, um produto orgânico da Amazônia, praticado pelos índios e ribeirinhos. Entraria [no mercado] com um preço bastante vantajoso”, especula.

O especialista diz ainda que mesmo que o produtor não trabalhe com a produção de mel, poderia criar abelhas para alugar para que elas fizessem a polinização em criações de cupuaçu, pupunha de outros produtores rurais.

Incentivos

Porém, para o projeto “decolar”, o pesquisador diz que é preciso incentivo do poder público.  “Existem instituições e gente interessada, mas precisa de incentivo fiscal.  Porque um agricultor descapitalizado que vive da produção de farinha ou banana, não tem capital para investir em colméias, fazer treinamento, a compra dos primeiros equipamentos”, diz.

Abelhas africanizadas

Porém, as perspectivas são boas para a criação de abelhas sem ferrão na Amazônia, o mesmo não pode ser dito das abelhas africanizadas, aquelas que possuem ferrão e geralmente são encontradas na maioria das cidades brasileiras.

“Pensou-se que a criação de abelhas africanizadas seria uma alternativa para alavancar a produção de mel no Brasil. Porque o pensamento era assim: temos uma grande dimensão territorial e a mais rica floresta do mundo. Pensava-se que com isso a apicultura iria suplantar por exemplo a Argentina, mas o que se descobriu é que as abelhas africanizadas nem sequer visitam as plantas da floresta amazônica. Por alguns motivos que a gente ainda está investigando”, relata.

Por conta disso o pesquisador diz que não é recomendado pensar em apicultura em grande escala em áreas de floresta. Apenas em áreas que já foram desmatadas e ao longo de estradas. “Seria uma boa alternativa de renda para as famílias de agricultores, acho que poderia entrar como um acréscimo na alimentação e na renda”, defende.

Por: Yuri Marcel
Fonte: G1 

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