Indígenas apreendem ônibus e fecham via de acesso a Belo Monte

Na madrugada desta sexta (11) indígenas não aldeados fecharam a rodovia Transamazônica (BR-230) próximo a Pimental, um dos principais canteiros da hidrelétrica de Belo Monte. Apesar de morarem em locais próximos a obra, eles não foram considerados impactados pelos empreendedores, e exigem que suas pautas sejam inseridas nas condicionantes da obra.

O grupo, formado por indígenas da etnia Arara e Xipaya de diversas localidades, apreendeu as chaves de seis ônibus que levavam os trabalhadores ao canteiro e utilizou alguns dos veículos para fechar a rodovia. As demandas dos indígenas não aldeados, como reassentamento em local perto do rio, material para pesca e embarcações, não estão no Plano Básico Ambiental (PBA), documento composto por 86 projetos que deveriam atender à condicionante da licença de operação da usina.

A Transamazônica foi desobstruída por volta das 9h, quando policiais rodoviários chegaram para negociar. Uma reunião entre os indígenas e a Norte Energia ficou marcada para amanhã (12).

Segundo Socorro Arara, liderança do grupo, várias reuniões já foram feitas com a Norte Energia, responsável pela construção e operação da Usina Hidrelétrica Belo Monte, porém até agora os desaldeados não são vistos como impactados pela obra. “A norte energia reúne com a gente, mas nunca resolve nada. Queremos saber que PBA é esse que não atende todo mundo que é atingido”, afirma a liderança.

PBA é causa de ocupações

Esta é a quarta manifestação relacionada ao PBA de Belo Monte só esse ano. A primeira foi em fevereiro, quando cerca de 30 indígenas ocuparam um prédio administrativo da Norte Energia em Altamira pedindo pela aceleração nos projetos envolvendo saúde, educação e transporte nas aldeias. A segunda e a terceira foi em maio, quando homens da Força Nacional atacaram com tiros de bala de borracha cerca de 20 indígenas da etnia Xikrin que tentaram ocupar o canteiro pelo rio; e quando pescadores ocuparam as vias de acesso ao canteiro de Belo Monte e Pimental, exigindo, assim como os indígenas não aldeados, serem reconhecidos como atingidos.

Em ofício enviado em maio pela Norte Energia à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a empresa pede adiamento na entrega da obra, alegando entre outros fatores, as ocupações e manifestações. Se atendido o pedido, a obra deve ter atraso de um ano, iniciando o funcionamento em março de 2017. Enquanto isso, ribeirinhos, indígenas, pescadores e movimentos sociais exigem que suas reivindicações sejam atendidas antes da licença de operação, que deve ser cedida pelo IBAMA para que os reservatórios comecem a ser cheios.

Texto e fotos: Larissa Saud
Fonte: Movimento Xingu Vivo Para Sempre 

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