Reforma administrativa na Prefeitura de Coari é anunciada, no Amazonas

Duas secretarias vão vir departamentos e cinco terão mudanças na gestão. Mudanças ocorrem após MPE-AM pedir intervenção estadual no município.

Após o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) ingressar na Justiça com um pedido de intervenção em Coari, o atual prefeito do município anunciou a realização de uma reforma administrativa na prefeitura. Gestores de cinco secretarias serão substituídos e outras duas pastas devem ser unificadas. O prefeito em exercício Igson Monteiro (PMDB), assumiu a gestão municipal depois que Adail Pinheiro foi preso e acusado de chefiar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes, em fevereiro deste ano.

Situado a 363 km de distância de Manaus, o município de Coari tem vivenciado vários escândalos envolvendo o prefeito afastado, Adail Pinheiro. Desde dezembro de 2013, uma série de denúncias foi divulgada pelo Programa Fantástico, da Rede Globo, incluindo as novas acusações de pedofilia que geram a prisão do prefeito da cidade.

Segundo MPE, a suposta instabilidade política e utilização indevida de bens públicos motivaram o pedido de intervenção enviado ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), no último dia 30 de junho.

Depois da representação ter sido protocolada, o atual prefeito Igson Monteiro viabilizou as mudanças no secretariado e na estrutura da administração direta do município.

A troca da gestão das secretarias municipais de Educação, Agroeconomia, Casa Civil, Desenvolvimento Social e Representação do Município de Coari em Manaus estão entre as medidas divulgadas. As secretarias municipais de Gás e Petróleo e a Institucional de Coari serão absorvidas por outras pastas, sendo transformadas em departamentos.As mudanças foram divulgadas nesta segunda-feira (7).

Segundo a Secretaria Municipal de Comunicação, as medidas foram baseadas em avaliações realizadas durante os quatro meses de gestão do atual prefeito, considerando a atuação e o desempenho das secretarias, fundações e autarquias, e a satisfação do público-alvo diante do atendimento prestado por cada órgão.

“Durante o estudo, foi analisado o funcionamento de toda a estrutura que compõe o serviço público municipal, em busca de deficiências existentes no atendimento prestado à população e planejadas as providências necessárias para que tais falhas sejam definitivamente sanadas, de maneira que cada órgão possa atuar efetivamente na plena satisfação das necessidades de nossa população”, enfatizou o prefeito.

Intervenção

O último pedido de intervenção feito pelo Ministério Público pede, de fato, a interferência do estado em toda a administração de Coari, sugerindo a nomeação de um interventor pelo prazo de 180 dias. Isso porque a primeira representação solicitava apenas a intervenção no ato do então prefeito Adail Pinheiro, que teria nomeado conselheiros tutelares sem eleições diretas.

No pedido formulado pelo procurador-geral de Justiça do MPE-AM, Francisco Cruz, são apontados 13 indícios de irregularidades supostamente cometidas na atual gestão municipal de Coari, denunciadas por órgãos oficiais e sociedade civil. A representação é baseada em documentos reunidos pelo Gabinete de Assuntos Jurídicos.

Para o MPE-AM, Adail Pinheiro continua a administrar o município, mesmo afastado do cargo, por meio do atual gestor que era seu vice-prefeito. De acordo com o órgão ministerial há indícios de perseguições políticas, com impedimento de acesso de pessoas vinculadas ao processo que corre contra Adail aos serviços de saúde do município. Além de perseguições e invasões de domicílios por agentes públicos ligados ao prefeito afastado e ao atual gestor.

A relatoria do segundo pedido de intervenção no município de Coari ficou com o desembargador João Simões.

Fonte: G1

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