Violência e impunidade: até quando?

Novos assassinatos de lideranças dos trabalhadores rurais mostram que a luta pela preservação da floresta e pelo direito à terra continua sendo respondida à bala.

A violência no campo segue fazendo vítimas na Amazônia. No último sábado, dia 16, Josias Paulino de Castro, de 54 anos, e sua esposa Ereni da Silva Castro, 35, foram assassinados no Mato Grosso, em Guariba, zona rural de Colniza. Josias era presidente da Associação dos Produtores Rurais Nova União (Aspronu) do Assentamento Projeto Filinto Müller. Cerca de uma semana antes, ele havia denunciado a extração ilegal de madeira na região, corrupção e emissão irregular de títulos de terra.

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) divulgou uma nota denunciando e repudiando a onda violência no campo, que foi intensificada nos meses de julho e agosto desse ano. “Mais uma vez são mortes anunciadas, sem que se tomem as devidas providências para evitá-las”, diz a nota.

No início de agosto, Josias havia participado de audiência com o ouvidor agrário nacional e autoridades do Estado do Mato Grosso, em Cuiabá. Na ocasião, denunciou políticos da região por extração ilegal de madeira. Também afirmou haver emissão irregular de títulos de terras.

Segundo a nota da CPT, ele havia dito que ele e outros agricultores estavam ameaçados: “Estamos morrendo, somos ameaçados, o governo de Mato Grosso é conivente, a PM de Guariba protege eles, o governo federal é omisso. Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências?”. Assim como Zé Claudio, assassinado em 2011, que afirmou em palestra que estava sofrendo graves ameaças, Josias anunciou a própria morte.

Ainda segundo os dados da CPT, ocorreram quatro mortes apenas na semana passada, além de outros sete assassinatos em julho. De acordo com os dados, em 2014 já foram registrados 23 assassinatos em conflitos no campo. No mesmo período de 2013, esse número também foi alto: 21.

Além do casal Castro, também foi assassinada a tiros, no último dia 13, a ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura de União do Sul, no Mato Grosso, Maria Lúcia do Nascimento, por conflitos agrários. Ela morava no assentamento Nova Conquista II e já havia registrado ameaças em Boletins de Ocorrência e em atas de denúncias feitas diretamente ao Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho. Segundo a CPT, as ameaças foram testemunhadas, inclusive, por oficiais de justiça.

“Todos esses casos são conhecidos e já tinham sido denunciados. No entanto, as autoridades competentes se mantêm omissas e, por consequência, coniventes com essa barbaridade. Na Amazônia, a falta de governança e a impunidade só agravam a violência” disse Marina Lacôrte, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Queremos saber o que os candidatos vão fazer para dar um basta de uma vez por todas nessa situação”, completou ela.

Fonte: Greenpeace

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