A luta por terra dos quilombolas maranhenses

Trinta e cinco comunidades quilombolas, na região de Itapecuru Mirim (Estado do Maranhão), levantaram a voz. De forma organizada, não violenta, eles reivindicam o reconhecimento e a titulação de suas terras, frente ao que denominam “indiferença e burocracia” dos órgãos públicos e contra os grandes projetos extrativistas que invadiram seus territórios.

Cerca de 300 pessoas ocuparam por cinco dias a Estrada de Ferro Carajás, em concessão à mineradora Vale que escoa por ela 300 mil toneladas de minério de ferro por dia, atravessando terras quilombolas, indígenas e de agricultores familiares.

Alguns quilombolas amarraram-se aos trilhos e entraram em greve de fome, até as comunidades serem recebidas por autoridades federais. “Porque estamos cansados das promessas vazias e nunca cumpridas pelo INCRA [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] do Maranhão”. Eles e elas screveram, ao longo dos trilhos, “Nem mineração, nem agronegócio: terra para a vida”.

Denunciam ainda “um processo de extermínio” contra as comunidades negras do Estado, seja por causa dos assassinatos de lideranças, como por despejos, invasões de suas terras ou a execução de grandes projetos de investimento sem que haja consulta prévia, livre e informada aos moradores nos territórios.

No quinto dia de bloqueio, sábado, 27 de setembro, os manifestantes conseguiram o primeiro objetivo de sua luta: representantes da Secretaria Especial da Presidência e do INCRA de Brasília foram negociar com eles. A rede Justiça nos Trilhos, da qual os missionários combonianos são membros fundadores, esteve ao lado das comunidades quilombolas acompanhando suas reivindicações.

Fonte: Adital

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