Associação pede ao governo de MT exclusão de preço de pauta para látex

Pedido de urgência foi entregue à Sefaz-MT e Casa Civil. Setor espera que medida seja publicada antes do início da safra.

Nesta semana, membros da Associação dos Heveicultores de Mato Grosso (Ahevea) voltaram a se reunir com o governo do estado em busca de melhorias para o setor da borracha. Na quinta-feira (4), representantes da associação entregaram um pedido de urgência à Casa Civil e à Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso (Sefaz), em Cuiabá (MT), solicitando a exclusão do preço de pauta de R$ 2,64, que é usado atualmente no cálculo de impostos para cada quilo de látex coagulado comercializado pelo estado.

Entre março e junho, o preço de mercado pago pelo quilo do látex passou de R$ 2,60 para R$ 1,80 em alguns municípios de Mato Grosso. Os heveicultores alegam que o preço de pauta não acompanha o preço de mercado, já que a expectativa para a próxima safra que começa em setembro é de que seja pago R$ 1,60 pelo quilo do produto. Segundo associados da Ahevea, Mato Grosso é o único estado produtor de borracha que tem um preço de pauta.

O setor tem receio de que a diferença de R$ 1,04 desestimule os compradores do látex no estado, diante de um cenário em que os seringueiros já estão desanimados com a queda de mais de 40% nos preços praticados no mercado este ano. “A Sefaz deveria estar em sintonia com os preços praticados no mercado.

Para o comprador, o preço mais alto da pauta faz com que pague imposto sobre um valor acima do real”, afirma Ricardo Camargo, associado da Ahevea.

Camargo ressalta que os preparativos dos pés de seringueira ou “amansar a seringueira” começam em setembro. O processo consiste em posicionar as canecas que coletam o látex e sangrar as árvores por três vezes com um intervalo de quatro dias entre cada sangria. “Somente após o terceiro corte é que a produção começa a aumentar”, esclarece.

O governo do estado estima que 20 mil famílias dependam da heveicultura – ou cultura da seringueira – em Mato Grosso. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fornecidos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar (Sedraf) apontam que o estado possui 40.858 hectares de área total com seringueiras, sendo 39.662 hectares em produção.

De acordo com Antônio Rocha Vital, engenheiro florestal e extencionista rural da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural do Estado de Mato Grosso (Empaer- MT), a expectativa de preços baixos pelo látex pode fazer com que produtores do estado nem mesmo se animem a iniciar os tratos da fase preparatória para a sangria das árvores. “Essa portaria da Sefaz tem que sair, se não, inviabiliza o setor e todos que dependem dele direta e indiretamente”, destaca.

Por meio de assessoria, a Sefaz-MT informou que o pedido do setor está sendo analisado.

Fonte: G1

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