Diálogos entre estudantes e gestores sobre as contribuições da Amazônia para o as economias dos países

“O que é preciso fazer para se ter sucesso na solução para os problemas ambientais”? A pergunta dirigida à professora Yolanda Kakabadse, presidente mundial do WWF, foi central no debate sobre a Amazônia nesta segunda-feira, 08 de setembro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

“Buscar os outros setores e dialogar é obrigatório para construirmos as soluções para o desafio e a urgência que a crise ambiental e as mudanças climáticas nos impõem atualmente. Precisamos ir até eles. Somente com a confluência das discussões poderão surgir as respostas integradoras para os problemas que a Amazônia enfrenta e que determinam o que deixaremos para nós e as futuras gerações”, explicou Yolanda Kakabadse.

A Agenda de Seguridade para a Amazônia apresentada por ela aos alunos e professores da PUC-Rio mostra a inter-relação entre água, energia, produção de alimentos, saúde e as mudanças climáticas e como precisam ser enfrentados em conjunto para suprir as necessidades humanas sem esgotar os recursos naturais. “É essencial melhorar a gestão pública em todos os setores. Sentar todos ao redor da mesa e sair com a segurança de que estamos todos ganhando ao enfrentarmos os problemas juntos”, disse.

A integridade da Amazônia, maior extensão de floresta tropical e o maior sistema de rios do planeta, é fundamental não só para as pessoas que vivem na região, mas também para os governos dos países e para as empresas. Todos, em conjunto, dependem dos recursos naturais e dos serviços ecossistêmicos que esta unidade ecológica presta.

A água é o elemento integrador na Agenda de Seguridade da Amazônia, pois é vital para as populações locais e dos países da região. A Floresta Amazônica recicla a água lançando vapor d´água na atmosfera, propiciando mais umidade e a formação de chuva em outras regiões da América do Sul – por meio dos chamados rios voadores. Chuvas essenciais para o consumo humano, a produção de energia e a produção de alimentos.

O desmatamento e as mudanças climáticas potencializam as ameaças de desequilíbrio da região que afetará a população e as economias muito além de suas fronteiras. “Alcançar um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção dos ecossistemas na Amazônia é a chave para um futuro seguro”, afirma Yolanda.

O aumento da frequência de eventos extremos como secas e inundações, imposto pelas mudanças climáticas, vão trazer consequências complexas e caras para as pessoas de toda a América Latina, que dependem da floresta para reciclar a água e fornecer chuva. “Essa situação vai além da questão ambiental. Trata-se de uma questão de prosperidade e segurança regional, que demanda uma ação colaborativa dos líderes de governos, priorizando e discutindo a nossa relação de dependência com a Amazônia. Na Conferência de Clima em Lima, em dezembro, os governantes terão a oportunidade de tomar decisões ousadas”, afirmou.

Para o reitor da PUC-Rio, Pe. Josafá Siqueira, o evento foi uma oportunidade de estimular o pensamento crítico sobre a Amazônia. “É necessário pensar a Amazônia de forma integradora e holística. Não é mais possível ter uma visão mercantilista sobre a Amazônia. É preciso pensar a especificidade do território, que é plural, para o bem do planeta. E temos de lutar contra as contradições que ferem a região. Temos uma ferida que temos de cicatrizar, pela agressão à sua biodiversidade”, concluiu.

Parceria

A palestra de Yolanda Kakabadse na PUC-Rio faz parte de um conjunto de ações que WWF e a universidade católica estão desenvolvendo para troca de informações e contribuições na área ambiental.

Para Tâmara Carvalho, 18 anos, estudante de comunicação social na universidade, a interligação entre água, energia, produção de alimentos e saúde gerou um questionamento sobre seus hábitos e relação com o meio ambiente. “Estou me perguntando o quanto eu cuido do planeta que eu tanto dependo. A palestra me abriu os olhos”, afirmou.

“Me chamou muito a atenção o ponto sobre que tipo de pessoa/humanidade queremos ser. Yolanda também demonstrou profunda sensibilidade sobre temas intrínsecos à sustentabilidade, mas que não abordamos em conjunto”, declarou Felipe Lobo, ex-aluno da PUC-Rio.

Exposição fotográfica

Como parte da programação, foi aberta a exposição fotográfica “Amazônia no Rio”, que ficará na Estação Ambiental até novembro. Nesse período, a PUC-Rio vai levar estudantes de escolas públicas para atividades de educação ambiental pelo Projeto Jornadas Ecológicas. Ao longo do semestre, cerca de 1 mil alunos de escolas públicas do ensino fundamental e médio visitarão a mostra.

A exposição é formada por 26 painéis com imagens da Amazônia e um pequeno texto que apresenta o tema e busca instigar as crianças e adolescentes sobre as conexões entre a Amazônia e o Rio de Janeiro.

Os temas abordados são florestas e clima; os rios e a interdependência com a floresta; alguns exemplos de produtos sustentáveis que fazem parte da vida de cidadãos da Amazônia e fora dela; a extraordinária biodiversidade; as diferentes comunidades e seus modos de vida; o desafio da urbanização; ameaças que colocam em risco os serviços prestados pelos ecossistemas amazônicos e o quanto dependemos dele.

As atividades são uma parceria entre a Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF e contam com o apoio do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA).

Fonte: WWF

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