Sustentabilidade preocupa concorrentes

O contraste entre a exuberância das riquezas naturais nos nove Estados da Amazônia Legal e seus baixos índices sociais desafia seus governantes a buscar soluções de desenvolvimento sustentável ajustadas às peculiaridades da região. Nos quatro Estados com as maiores economias da Amazônia Legal, os candidatos que lideram as pesquisas eleitorais para os governos estaduais prometem enfrentar o problema com medidas que já demonstraram eficácia. Mas eles também afirmam querer descobrir como fazer com que as riquezas de seus Estados sejam transformadas em ativos econômicos que efetivamente tenham impacto na vida de seus habitantes, sem colocar em risco os recursos naturais.

Em seus 5,2 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia Legal abriga a segunda maior área florestal do planeta, a maior reserva de água doce do mundo, cerca de 30 mil espécies vegetais conhecidas, aproximadamente três mil espécies de peixes e centenas de espécies de anfíbios, répteis, pássaros. Seus Estados se destacam em setores como agricultura, pecuária, mineração e energia. Esta mesma área, onde vivem 26 milhões de habitantes – incluindo a maior população indígena do país com cultura preservada – é também cenário de desmatamentos de proporções gigantescas, conflitos pela terra, degradação de rios, pesca predatória, falta de saneamento básico, baixos índices de educação e níveis elevados de pobreza.

No relatório Índice de Progresso Social (IPS) Amazônia 2014, divulgado em agosto pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a região aparece com um índice social 15% inferior à média nacional. Criado como uma alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB) para avaliar o desenvolvimento, o IPS considera aspectos classificados como necessidades humanas básicas, fundamentos para o bem-estar e oportunidades. No caso da Amazônia, o Índice de Progresso Social médio foi de 57,31, enquanto a média brasileira é de 67,73. De acordo com o relatório, uma das diferenças do IPS em relação ao PIB e ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o forte peso do crescimento econômico sobre os resultados nos dois últimos (veja matéria na página F7).

Considerados os critérios do PIB, o Estado do Pará lidera na Amazônia Legal, com R$ 88,3 bilhões, participando com 2,3% do PIB nacional, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2011. Em seguida aparece o Amazonas, com R$ 64,5 bilhões e participação de 1,5%; seguido pelo Mato Grosso, com R$ 71,4 bilhões e 1,8% do PIB brasileiro; e o Maranhão, com R$ 52,1 bilhões, ou 1,3% do total nacional. O quinto lugar é de Rondônia, com R$ 27,8 bilhões (0,8%) e o sexto é de Tocantins, com R$ 18 bilhões (0,5%). Amapá fechou 2011 com R$ 8,9 bilhões (0,2%), enquanto o Acre somou R$ 8,7 bilhões (0,2%) e Roraima, R$ 6,9 bilhões, ou 0,2% do PIB brasileiro.

Nos quatro Estados com maior fatia do PIB nacional, todos os candidatos que lideram as pesquisas eleitorais se dizem comprometidos com o desenvolvimento sustentável. Em comum, afirmam que pretendem aprimorar o combate a crimes ambientais, estimular a agricultura familiar e buscar novos nichos que possam se tornar ativos econômicos sustentáveis, com base nas potencialidades locais, criar oportunidades de criação de empregos e a geração de renda para as comunidades e preservar as Unidades de Conservação (UCs) em seus Estados.

Por: Maria Alice Rosa
Fonte: Valor Econômico 

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