Plantações convivem com árvores centenárias

O nome, quase poético, combina com os usos da terra. Na colônia Chuva com Vento, sítio de 80 hectares no meio da floresta amazônica, na zona rural de Feijó, as árvores dominam a paisagem. E são numerosas: mais de 1.000 pés de açaí, 400 pés de cupuaçu, 200 mognos e 80 abacateiros convivem em harmonia com o roçado de milho e mandioca e com a criação de porcos e galinhas. E as espécies nativas que tornam a floresta tropical única se conservam imponentes: a sumaúma, o cedro, a andiroba.

A colônia é um exemplo de propriedade agroecológica, onde a produção de alimentos não entra em conflito com a preservação da floresta. Os plantios são feitos em consórcio com espécies nativas e emprego de técnicas agrícolas menos agressivas ao meio ambiente.

Zelador desse patrimônio, o produtor rural Francisco Pereira dos Santos, conhecido como ‘seu’ Chico Brabo, ocupa as terras há 30 anos. “Quem me educou para fazer o reflorestamento? Ninguém. Lá atrás, eu acreditei que o mundo ia mudar, que a água poderia acabar e que muita gente ia viver de explorar a floresta. É melhor ter pouco gado do que não ter um caneco d’água”, diz o ex-seringueiro, que chegou àquelas terras ainda garoto, junto com o pai, vindo do Ceará. “Aí fui replantando tudo aos poucos, o abacate, o cupuaçu.”

‘Seu’ Chico Brabo afirma que a variedade de produtos que são cultivados no sítio permite que sua família tenha uma fonte de renda o ano todo. Da mandioca se faz a farinha, vendida no comércio de Feijó, bem como as frutas. O igarapé que corta a propriedade garante um suprimento de peixes para consumo próprio. E a safra do açaí também é promissora: graças ao asfaltamento da BR-364, sempre chega um comprador.

Considerada modelo, a gestão agroecológica da colônia Chuva com Vento garante à família de ‘seu’ Chico uma renda anual extra de cerca de R$ 600, pois ela faz parte do programa Certificação da Propriedade Sustentável, criado em 2008 pelo governo do Acre em parceria com o WWF Brasil para incentivar pequenas propriedades, de até 150 hectares, a adotar boas práticas para conservar e aumentar a cobertura florestal, reduzir a degradação do solo e o uso do fogo. “São oito anos sem botar fogo na terra. Comecei diminuindo aos poucos, depois acabei de vez com as queimadas na propriedade”, diz Chico Brabo. No lugar do fogo, o programa traz assistência técnica para ajudar os produtores a cultivar alimentos com menor impacto ambiental.

Por: Andrea Vialli
Fonte: Valor Econômico 

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