Reunião tenta preparar acordo do clima de 2015

A conferência do clima de Lima, no Peru, que durará 12 dias a partir de 1º de dezembro, terá que definir como cada país irá reduzir suas emissões de gases-estufa. Outro objetivo da reunião é definir o rascunho do acordo climático global que deve ser assinado em Paris, em dezembro de 2015, para entrar em vigor em 2020.

“Nosso objetivo é conseguir, em Lima, um bom rascunho do acordo, para facilitar o processo em Paris”, disse Manuel Pulgar-Vidal, ministro do Meio Ambiente do Peru. A versão preliminar, com elementos do que o acordo deve conter, está em discussão esta semana em Bonn, na Alemanha.

“O elemento-chave da negociação será a diferenciação entre os países”, disse Pulgar-Vidal, que será o presidente da CoP-20 – o nome da conferência de Lima. Ele se refere aos critérios que colocarão diferenças entre os cortes de emissão de países em estágios de desenvolvimento diferentes, como Estados Unidos, Brasil e a Costa Rica, por exemplo.

A CoP-20 também terá de definir a forma das “contribuições nacionais” – ou seja, o que os países colocarão sobre a mesa em termos de cortes de emissão, por exemplo, e como farão isso. “É a estrutura dessas contribuições, não os números”, esclarece Pulgar-Vidal.

Uma ideia de como estarão os ânimos das negociações em Lima poderá ser sentida alguns dias antes, em encontro em Berlim. É ali que os países farão suas promessas financeiras para o Fundo Climático Verde (GCF, em inglês). O Fundo, criado em 2011, começa a decolar agora. “A expectativa é que se transforme no principal mecanismo de financiamento multilateral de apoio à mudança climática”, disse Veronica Villena, do Ministério do Meio Ambiente do Peru.

O Fundo já tem US$ 2,4 bilhões para redução de gases-estufa e adaptação aos impactos da mudança do clima – as maiores contribuições são da França e da Alemanha – o que é risível diante dos US$ 100 bilhões ao ano estimados para fazer frente ao desafio a partir de 2020. Espera-se que na reunião de Berlim, em novembro, os países se comprometam com algo próximo a US$ 15 bilhões, diz Mark Lutes, especialista em clima da Iniciativa Global de Clima e Energia do WWF.

A CoP-20 acontecerá em tendas que o governo está montando em instalações do Exército. Os investimentos no evento são entre US$ 80 milhões e US$ 90 milhões. Cerca de 15 mil pessoas são aguardadas. Haverá pavilhões temáticos para debates sobre água, florestas, montanhas e energia. “Esperamos ter uma forte participação da sociedade civil, com espaços dedicados aos indígenas. Queremos inspirar outras CoPs a seguirem este modelo”, disse Pulgar-Vidal.

Por: Daniela Chiaretti,
Fonte: Valor Econômico

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