Grupo especial vai monitorar investigações de mortes no Pará, diz ouvidor

O ouvidor nacional dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira, disse hoje (6) que será montado um grupo especial, formado por representantes da sociedade civil, do governo do Pará e do Ministério Público (MP) do estado, para monitorar as investigações das mortes ocorridas esta semana em Belém. Teixeira foi enviado ao Pará pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para acompanhar a apuração dos assassinatos. Segundo ele, além do grupo especial de trabalho, o governo estadual deve montar uma estrutura de apoio às famílias das vítimas.

“O governo do estado assumiu o compromisso na apuração célere, na disponibilidade de uma ampla estrutura para atender a essa demanda de resolutividade de forma emergente, em [montar] uma equipe que vai acompanhar as famílias neste momento de sofrimento e na formação de um grupo [para atuar no] no monitoramento da apuração desse caso que atingiu em cheio a vida e o cotidiano belenense”, informou em entrevista à Agência Brasil.

O ouvidor disse ainda que haverá um reforço na segurança da cidade. “Houve o compromisso assumindo de reforço da segurança, principalmente nos bairros onde houveram homicídios, para devolver à população a sensação de tranquilidade e que possa retomar sua rotina de forma segura”.

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados também vai fazer diligências em Belém, em data ainda não definida, para verificar a apuração dos assassinatos. A comissão informou ainda que vai solicitar informações e providências às autoridades públicas do Pará a respeito das investigações.

A CDH do Senado pediu uma investigação imediata e independente das mortes. Em nota, cobrou “punição com rigor dos envolvidos e autores dos bárbaros assassinatos” e solicitou “assistência para as famílias das vítimas e informações detalhadas a respeito do caso”.

Nesta quinta-feira, a Polícia Civil confirmou a morte da mais uma vítima da chacina. Segundo a polícia, o homem, baleado na madrugada dessa quarta-feira e em seguida levado ao pronto-socorro, morreu na noite de ontem (5) no Hospital Metropolitano. Com o óbito, sobe para onze o número de assassinatos ocorridos na noite de terça-feira (4) e na madrugada de quarta-feira em Belém.

Por volta das 19h30 (horário local) dessa terça-feira, o cabo Antônio Figueiredo, da Polícia Militar (PM), que não estava em serviço, foi morto a tiros no bairro Guamá. Na madrugada de quarta-feira, dez pessoas foram assassinadas em bairros diferentes de Belém, a maioria delas com características semelhantes, abordadas em vias públicas por pessoas em motos usando capacetes e capuzes.

Só após os trabalhos de investigação e de perícia criminal, a polícia poderá dizer se existe vínculo entre os homicídios com a morte do policial. A Corregedoria-Geral da Polícia Militar investigará o possível envolvimento de policiais nas mortes.

Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Fábio Massalli

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