Pesquisadores no Inpa observam que espécie de trepadeira está modificando paisagem na floresta amazônica

Pesquisadores observam que as populações de lianas estão em expansão em áreas de florestas sem histórico de perturbação (interferência do equilíbrio estabelecido pela floresta)

Pesquisadores que integram o Projeto Dinâmica Biológica em Fragmentos Florestais (PDBFF) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) estão observando pela primeira vez um fenômeno em relação às lianas, trepadeiras que se enrolam em árvores, e que estão se expandindo em meio às florestas intactas do interior da Amazônia.

Os pesquisadores observam que as populações de lianas estão se expandido em áreas de florestas sem histórico de perturbação. Para o coordenador científico do PDBFF, José Luís Camargo isso foi uma surpresa. “Há uma maior proliferação de lianas em áreas próximas às bordas das florestas fragmentadas e não necessariamente dentro de áreas de floresta sem grandes perturbações”, explica.

De acordo com Camargo, nos últimos 14 anos, a população de lianas nas florestas intactas próximas a Manaus cresceu, por ano, 1% acima do esperado. Para os pesquisadores, a proliferação dessas plantas nessas áreas pode estar associada com o aumento das concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Segundo o biólogo William Laurance, que também integra o PDBFF do Inpa, autor de dois artigos publicados neste ano na Ecology sobre o comportamento das lianas na Amazônia comenta que o CO2 pode acelerar tanto o crescimento de árvores como de lianas, mas lianas são muito competitivas e pode ganhar espaço mais rapidamente se beneficiando com uma maior exposição à luz em detrimento às árvores.

O trabalho de pesquisa de identificação de espécies de lianas em algumas áreas da Amazônia está sendo desenvolvido pela ecóloga norte-americana Robyn Burnham. Ela já identificou 300 espécies, muita delas ainda não descritas. “Esperamos que esse censo ajude a identificar quais espécies de lianas estão se beneficiando mais desse cenário e ganhando mais espaço”, diz a ecóloga, que assim como Laurance integra o PDBFF do Inpa.

Fonte: INPA

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