MST se reúne com Dilma e discute meta para assentamento de famílias acampadas

Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregaram ontem (15) à presidenta Dilma Rousseff um documento intitulado Propostas Emergenciais para o Campo.  Após o encontro, no Palácio do Planalto, que também teve a participação do ministro Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, Alexandre da Conceição, membro da Direção Nacional do MST, disse que o primeiro item da pauta, sobre o assentamento das famílias acampadas, foi uma das questões tratadas com a presidenta Dilma.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e a presidenta Dilma durante encontro com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no Palácio do Planalto José Cruz/Agência Brasil

“Ao tema da questão agrária, pelo menos desta vez, ela [Dilma] se comprometeu com metas. No outro governo, ela não tinha se comprometido. Então isso já é um avanço, uma sinalização”, disse Alexandre. Segundo ele, essa pendência está atualmente em 120 mil famílias, que, de acordo com as reivindicações, devem ser assentadas até julho do ano que vem. Consta também no plano de metas o compromisso de assentar 50 mil famílias por ano.

Os representantes do MST avaliaram que, no segundo governo, Dilma terá mais comprometimento com as pautas do campo. Informaram que uma lista de reivindicações, com 27 pontos, foi discutida na reunião. E disseram que levaram para a presidenta as insatisfações do movimento em relação à possível indicação da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura.

De acordo com Alexandre Conceição, a nomeação de Kátia Abreu, se confirmada, representa o “agronegócio”, o “atraso”, o “trabalho escravo” e, no seu estado, “a grilagem de terras”. “O que temos colocado para imprensa e agora para presidenta Dilma é que a nomeação da Kátia Abreu é uma simbologia muito ruim para aquilo que foram as eleições nas ruas, onde os movimentos sociais foram garantidos”, disse.

Apesar das ponderações, os integrantes do movimento disseram que Dilma não se manifestou sobre o assunto. Para Alexandre, embora o nome da senadora represente mais repressão aos indígenas e aos quilombolas, a prerrogativa dessa decisão é da presidenta Dilma Rousseff, e que não cabe ao MST interferir na nomeação.

Sobre o que chamou de “balanço crítico” deste ano, o coordenador do MST disse que também foi feito um apelo por mudanças e que o movimento é contrário à manutenção da postura dos integrantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário em relação ao movimento. Segundo ele, assim que compor o novo governo, Dilma vai conversar novamente com o MST para discutir um plano de metas.

Na avaliação de Rosana Fernandes, que também integra a Direção Nacional do MST, a avaliação da reunião é “bastante positiva”, e há uma perspectiva de abrir um diálogo. A animação, no entanto, não tem uma expectativa, por parte do movimento, de que “apenas a boa conversa vai resolver”. Segundo ela, em 2015, a tarefa de organização dos trabalhadores vai continuar em todos os estados.

Por: Paulo Victor Chagas
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Aécio Amado

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