Oitenta garimpeiros presos em terra indígena de Roraima são levados à PF

Garimpeiros foram levados à sede da PF para prestar esclarecimentos. Segundo Funai, atividade ilegal causou prejuízo de quase R$ 80 milhões.

Cerca de 80 garimpeiros detidos na operação ‘Korekorema II’ foram conduzidos à sede da Polícia Federal (PF) em Boa Vista na tarde desta quinta-feira (4) para prestarem esclarecimentos, de acordo com João Catalano, coordenador-geral da Frente de Proteção Yanonami e Ye’kuana, da Fundação Nacional do Índio (Funai). À medida que eram ouvidos, os homens eram liberados. Familiares aguardavam em frente ao prédio da instituição.

Todos praticavam a atividade ilegal na Terra Indígena Yanomami, no nordeste de Roraima, e as detenções vêm correndo desde segunda-feira (1°). Cerca de 200 ainda serão trazidos à capital. O G1 entrou em contato com a assessoria da PF para saber se algum garimpeiro foi autuado em flagrante, mas não obteve êxito.

Um homem que estava entre os detidos narrou estar em Roraima há um mês. “Vim do Pará para trabalhar no garimpo e acabei preso pela operação, e ainda apreenderam cinco gramas de ouro que me pertenciam. Não tenho onde ficar. Não conheço quase ninguém aqui [Boa Vista]”, descreveu o garimpeiro sob condição de anonimato.

João Catalano, coordenador da operação, ressaltou qua ainda há 120 garimpeiros na reserva indígena e outros 80 que podem se apresentar nos próximos dias, totalizando 200. Segundo ele, no decorrer da operação houve um percalço em relação à falta de combustível, mas a situação foi resolvida.

“A Brigada do Exército forneceu gasolina para abastecer os barcos da Funai, por isso, continuaremos a operação. São 260 garimpeiros, até a momento, que se entregaram. Houve um atraso para trazê-los a Boa Vista, em razão de um dos barcos ter apresentado problemas, por isso, chegaram apenas hoje [quinta]”, explicou, complementado que cerca de 200 garimpeiros ainda devem ser detidos.

Fuga

O coordenador revelou que o número de garimpeiros trazidos a Boa Vista chegaria a 100, mas apenas 80 foram apresentados à PF, devido à fuga de alguns.

“Aproximadamente 20 conseguiram fugir pulando do barco onde estavam. Deduzimos que esses têm pendência na Justiça. A Polícia Militar enviará mais efetivo para reforçar o apoio. Entretanto, o balanço da operação foi positivo apesar das fugas, pois a nossa meta foi atingida “, destacou Catalano.

A operação contava com uma base, mas foi desativada por questão de logística e de segurança. Catalano disse que, após a detenção dos garimpeiros, será de competência da PF identificar os financiadores do garimpo na Terra Indígena Yanomami, pois são ‘usurpados’ da União entre R$ 70 e R$ 80 milhões.

“A Funai tem poder de polícia administrativa e não de instituição de segurança pública. Fica impossível impedir 30 garimpeiros armados, colocando em risco a vida de servidores.Toda a incursão nossa necessita do acompanhamento de policiais ou do Exército Brasileiro”, pontuou Catalano.

O coordenador disse que irá buscar junto à Funai em Brasília e ao Ministério da Justiça um serviço de cooperação com a Companhia de Polícia Ambiental (Cipa) para reocupar a base do ‘Korekorema II’ de maneira definitiva e transformá-la em um posto de polícia.

‘Korekorema II’

A operação de combate à permanência ilegal em área Yanomami começou na quinta-feira (27) depois que a Funai observou em um sobrevoo pela região a prática de garimpo. As detenções foram feitas na região de Waicais, a 300 quilômetros de Boa Vista.

Fonte: G1

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