Após sete meses de obra, falhas no aeroporto de Manaus são visíveis

Sete meses após os jogos da Copa, a obra, orçada em meio bilhão, ainda não foi concluída e já apresenta os primeiros sinais de deterioração

Restos de concreto de uma obra inacabada se aglomeram na entrada do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus. Tapumes são usados na tentativa de “esconder” o que seria a “porta de entrada” da maioria dos turistas no Amazonas. No mesmo local, uma placa indica o prazo destinado para a finalização das obras no aeroporto: dezembro de 2013.

A obra de revitalização e expansão do aeroporto de Manaus foi anunciada como uma das medidas para receber turistas e jogadores durante a realização da Copa do Mundo de 2014. Sete meses após os jogos, a obra, orçada em R$ 446,46 milhões, ainda não foi concluída e já apresenta os primeiros sinais de deterioração.

No terminal de passageiros já é possível ver os primeiros problemas causados por falta de manutenção. Parte do forro do hall de entrada já não existe mais e é possível ver o telhado sem proteção. Fios também estão à mostra, em tomadas sem espelhos.

O salão de embarque, por onde passam centenas de pessoas diariamente, está frequentemente molhado. Isso porque o sistema de refrigeração central apresenta goteiras e deixa água espalhada por várias partes do piso. Na área destinada ao check-in doméstico, placas usadas como forro estão mal colocadas e, em alguns pontos, sequer existem, deixando a fiação elétrica à mostra.

‘98% pronta’

Segundo informou a assessoria da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), a obra de reforma e ampliação do terminal de passageiros está 98% concluída. O espaço destinado ao check-in doméstico é a única área operacional do terminal que ainda está em fase de acabamento, segundo a Infraero. Outro espaço que ainda está em obras é a área destinada ao culto ecumênico, mas não é considerado um serviço operacional.

O segundo andar, destinado à praça de alimentação, permanece vazio. No espaço, o forro apresenta os primeiros sinais da falta de manutenção.

Os usuários que quiserem fazer um lanche precisam se dirigir a um dos seis quiosques disponíveis no primeiro andar do aeroporto. Lá é possível tomar um copo de 200ml de açaí, lanche típico da região, por R$ 6.

Verba extra Para a obra de revitalização e expansão do aeroporto já foram liberados sete aditivos, entre aditivos de prazo, de supressões e de serviços. Juntos eles totalizam uma verba extra de R$ 73 milhões sobre o orçamento inicial.

Sobre a necessidade de reparos na obra, a Infraero informou que eles são de responsabilidade da empresa contratada por meio de consórcio, que é acionada “quando a Infraero acha necessário”.

O que já foi entregue, segundo a Infraero

Todas as novas salas de embarque e desembarque internacional, incluindo alfândega e imigração; Todas as novas salas de embarque e desembarque internacional remoto (sem o auxílio da ponte de embarque); 100% do saguão embarque e 75% saguão desembarque; Parte do estacionamento de veículos do nível de desembarque, com um total de 400 vagas, que se somam às 685 já entregues no nível de embarque em outubro do ano passado.

Por ano, 13 milhões de visitantes

Segundo a assessoria da Infraero, com as obras que já foram entregues, a capacidade do Aeroporto de Manaus ampliou para 13,5 milhões de embarques e desembarques por ano.

O número é quatro vezes superior à demanda de 2014, quando aconteceram os jogos da Copa do Mundo. Na ocasião, 3,3 milhões de passageiros desembarcaram ou embarcaram no aeroporto Eduardo Gomes. Manaus foi cidade-sede de quatro jogos do mundial.

Quarto pior do País

Uma pesquisa de satisfação de passageiros divulgada ontem (29) pela Secretaria de Aviação Civil apontou que o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é o quarto pior do Brasil, empatando com Salvador (BA), com nota 3,78 numa escala que vai de 1 a 5.

Manaus subiu uma posição em relação à primeira pesquisa realizada no ano passado, quando obteve nota 3,55. Atrás de Manaus ficaram apenas os aeroportos Rio Galeão (RJ), Guarulhos (SP) e Cuiabá (MT), que obteve a menor nota (3,48).

Os entrevistaram responderam 48 quesitos como o tempo de espera no check-in, oferta de transporte público, restituição de bagagem, limpeza dos banheiros, entre outros. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 5%.

Fonte: A Crítica

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Um comentário em “Após sete meses de obra, falhas no aeroporto de Manaus são visíveis

  • 12 de dezembro de 2016 em 17:04
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    É triste ver como as coisas acontecem no nosso país, obras caríssimas, superfaturadas e de péssima qualidade. Triste realidade.

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