Cheia do Rio Acre isola equipe de hidrólogos de Rondônia em Brasileia

Técnicos faziam monitoramento do rio e foram surpreendidos pela cheia. Chuva que caiu em 14 horas foi equivalente à média registrada em um mês.

Imagem registrada na terça-feira, 24, de casas submersas em Brasileia (AC) (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Uma equipe de engenheiros e técnicos hidrólogos da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) de Rondônia, que faz o monitoramento dos rios no estado e também no Acre, está isolada no município de Brasileia (AC), sem qualquer comunicação com a companhia. A quantidade de chuva registrada no município em 14 horas foi equivalente ao registrado normalmente em um mês, fazendo com que o rio subisse cerca de nove metros repentinamente. Uma outra equipe está se deslocando para a cidade acreana nesta quarta-feira (25) para dar apoio aos técnicos isolados e também para dar continuidade ao trabalho de monitoramento das águas.

A CPRM mantém 54 estações para medir o nível e acompanhar o comportamento dos rios em Rondônia e no Acre. Na última sexta-feira (20), a equipe composta por três profissionais estava em Brasileia fazendo o serviço monitoramento e, quando tentou retornar, a ponte que liga a cidade a Epitaciolândia, município vizinho, já estava submersa.

A cheia repentina do Rio Acre foi ocasionada por fortes chuvas que caem no estado. “O Rio Acre tem a nascente em parte do Peru, mas o que está influenciando hoje são os rios que ficam dentro do Brasil, que são o Xapuri e o Espalha. As chuvas que estão caindo no Brasil é que estão influenciando esse nível elevado na bacia do Rio Acre”, informou Francisco Reis, engenheiro hidrólogo da companhia.

O nível do Rio Acre registrado nesta quarta é de 15,26 metros, mais de três metros acima da cota máxima. A cidade está 100% isolada por via terrestre e o acesso ao local é feito apenas por barcos. Residências, comércios, agências bancárias, prédios públicos e mais de 90% do município foram atingidos. Também não há sinal de telefone, a água potável está sendo disponibilizada pela prefeitura e a alimentação pelo governo estadual.

Segundo a CPRM, a previsão é de que o rio continue a subir. “Enquanto o rio estiver subindo, eles [a equipe] permanecerão por lá. Espero que semana que vem o rio comece a baixar, mas, por enquanto, em Brasileia ainda está subindo”, disse Francisco, informando que, mesmo isolados, os técnicos continuam fazendo o trabalho de medição e acompanhamento do rio. A outra equipe enviada nesta quarta ficará em Epitaciolândia, dando apoio aos profissionais em Brasileia e complementando os serviços de monitoramento. “Ficaremos com duas frentes de trabalho medindo vazão e levantando os pontos de alagamento”, explicou o engenheiro.

Além de Brasileia, a cheia do Rio Acre já atingiu Rio Branco, Assis Brasil e Xapuri.

Cheia em Rondônia

Em Rondônia, a preocupação é com a elevação do nível do Rio Madeira, que, de acordo com a CPRM, pode chegar a 16,70 metros nas próximas 48 horas. Nesta quarta-feira (25), a cota está em 16,54 metros, enquanto na terça-feira (24) estava em 16,48 metros. O nível de alerta é 16 metros. No entanto, conforme a companhia, a situação não pode ser considerada crítica, já que o rio tem ficado nos últimos dias pelo menos dois metros abaixo dos números registrados em 2014, quando aconteceu a cheia histórica, que atingiu cerca de 97 mil pessoas no estado. Em 25 de fevereiro do ano passado, a medição marcou 18,51 metros.

Diferentemente do Acre, em Rondônia as chuvas que caem no estado não influenciam no comportamento das águas. Por isso, segundo a CPRM, não é preciso preocupação com o período chuvoso, que vai até meados de abril. “O que chove na área urbana de Porto Velho não influencia diretamente na elevação no nível do Madeira, que é influenciado pelas bacias dos rios Mamoré e Beni, que nascem na Bolívia e no Peru, e, por isso, as chuvas que caem naqueles países é que refletem no nível do rio no Brasil”, esclareceu Francisco Reis.

Por: Karla Cabral e Ana Fabre
Fonte: G1

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