Comerciantes do Centro de Manaus começam a se preparar para enfrentar a enchente

Mesmo sem previsão de cheia recorde pelo CPRM, comerciantes do Centro começam a se preparar para enfrentar alagações

Assim como outros comerciantes que têm pontos na rua dos Barés, Silva Sarrazinho guarda recordações das últimas cheias, que vão das memórias do prejuízo a um quadro com um recorte no jornal, e já se prepara para deixar o ponto comercial (Antonio Menezes)

Ainda é cedo para divulgar o alerta de cheia em Manaus e o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) garante que o nível está dentro do esperado. Ontem, o Rio Negro subiu 7 centímetros, atingindo a cota de 23,72 – 26 centímetros a mais que a mesma data no ano passado. Mesmo “sem ter como prever”, moradores e comerciantes que vivem em áreas com risco de alagações já esperam pelo pior.

A rua dos Barés, no Centro de Manaus, é historicamente uma das primeiras vias da cidade a ser atingida pela cheia. O comerciante Silva Sarrazinho acompanhou as últimas três ‘cheias’ do rio Negro na cidade e já está se preparando para deixar o ponto comercial.

“Vamos nos mudar daqui porque não tem condições. Todo ano eles dizem que vão dar um jeito na rua, mas nada acontece”, reclamou Silva.

Assim como ele, o comerciante Antônio Viana também está acostumado a trabalhar em cima de marombas em meses de cheia. “A rua é a primeira que alaga e minha loja também. Não temos o que fazer, a não ser esperar para ver o que vai acontecer neste ano”, disse.

Na rua Barão de São Domingo, também no Centro, os comerciantes não temem cheia pior que a de 2012. “Agora seja o que Deus quiser. Não é possível que algo seja pior que 2012, quando nossa rua virou um verdadeiro ponto turístico”, comentou Carlos Sandanha, 41.

“Bom para pescar” Os pequenos Rauan e Raul Sena Almeida, de 8 e 11 anos, moradores da rua Barão de São Domingos, estão torcendo por uma grande cheia em 2015. Isso porque eles costumam pescar sardinhas e tucunarés na própria rua.

“Eles adoram e ano passado até saíram no jornal. Este ano estamos esperando para ver o que vai acontecer, mas até agora não nos preparamos para a cheia, pois é sempre muito incerto”, comentou o pai das crianças, Joel Alves de Almeida.

Levantamento

Na semana passada. A Defesa Civil de Manaus começou a fazer o levantamento de áreas atingidas historicamente pela cheia do Rio Negro. Segundo o diretor operacional da Defesa Civil de Manaus, Cláudio Belém, um fator relevante para o início dos trabalhos de prevenção é a cheia do rio Madeira, que, apesar de não passar por Manaus, já coloca o órgão em alerta. O Madeira já apresenta, este ano, uma das maiores cheias, a exemplo do ano passado.

Por: Luana Carvalho
Fonte: A Crítica 

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