É barato salvar espécies que já estão pela hora da morte

Investir U$ 1,3 bilhão anuais poderia salvar um grupo de 841 espécies endêmicas, altamente ameaçadas de extinção, segundo estudos realizados por pesquisadores europeus.  Infelizmente, para um subgrupo de 15 espécies muito ameaçadas, este investimento pode chegar tarde.  Elas dependem também da adoção imediata de ações de manejo.  Três delas são anfíbios brasileiros.

Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores criaram um índice de oportunidades de conservação, com base em dois critérios: a possibilidade de proteger os habitats restantes para estas espécies, que considera os custos, estabilidade política e até a urbanização; e a possibilidade de manter populações seguras em zoológicos, levando em conta de novo os custos e o conhecimento sobre a reprodução das espécies.

Nestas bases, eles usaram modelos de computador no cálculo de resultados parar 841 espécies endêmicas de mamíferos, répteis, pássaros e anfíbios citados pela Aliança Zero para Extinção (AZE) e classificadas como Ameaçadas ou Criticamente Ameaçadas na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, em Inglês).

Os resultados foram publicados esta semana na revista científica Current Biology pela equipe liderada pelos professores Dalia Amor Conde, da Universidade da Dinamarca do Sul, e John E Fa, do Colégio Imperial de Londres.  Eles apontam que para salvar as espécies mais ameaçadas é preciso ações que incluam o manejo destes animais e ajuda de zoológicos.

Segundo John Fa, “Nosso exercício nos dá uma esperança de salvar mais espécies altamente ameaçadas de extinção, mas ações precisam ser tomadas imediatamente e, para espécies restritas a apenas uma localização, é necessário uma abordagem abrangente para a conservação”.

A boa notícia é que o estudo indica que 39% das espécies avaliadas possuem um alto índice de conservação, isto é, podem ser salvas com custos baixos.  O valor total estimado para conservar as 841 espécies da lista em seus habitats naturais foi calculado em pouco mais de US$ 1 bilhão por ano.  O custo anual estimado para manejo em zoos foi de US$ 160 milhões.

“Apesar de o custo parecer alto, proteger estas espécies é essencial se nós queremos reduzir as taxas de extinção até 2020”, afirma o professor Hugh Possingham, da Universidade de Queensland, um dos autores do estudo.  E segundo ele mesmo destaca, os gastos de Defesa dos Estados Unidos ultrapassam em 500 vezes esse valor.  Em comparação, o que os pesquisadores propõem para salvar mais 800 espécies parece uma pechincha.

Abaixo a lista com as 15 espécies com menores chances de sobreviver na vida selvagem e zoológicos:

Anfíbios

  1. Lyciasalamandra billae, Turquia;
  2. Bokermannohyla izecksohni, Brasil;
  3. Hypsiboas dulcimer, Brasil;
  4. Physalaemus soaresi, Brasil;
  5. Pseudophilautus zorro, Sri Lanka;
  6. Allobates juanii, Colômbia.

Pássaros

  1. Mirafra ashi, Somália;
  2. Pomarea nigra, Polinésia Francesa;
  3. Pterodroma madeira, Madeira;
  4. Pseudobulweria aterrima, Ilha da Reunião (África);
  5. Nesospiza wilkinsi, Tristão da Cunha (Atlântico Sul);
  6. Diomedea amsterdamensis, Nova Amsterdam.

Mamíferos

  1. Lophuromys eisentrauti, Camarões;
  2. Tylomys bullaris, México
  3. Tylomys bullaris, México

Por: Vandré Fonseca
Fonte: ((o)) eco

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