Desalojada durante cheia histórica, família de Marina retorna para casa

Pai da ex-senadora se recusa a mudar de bairro, em Rio Branco. Pai da ex-senadora se recusa a mudar de bairro, em Rio Branco.

Irmã de Marina Silva já retornou para casa, que ainda tem o quintal coberto pelas águas do rio. (Foto: Veriana Ribeiro/G1)

Pela primeira vez a água do Rio Acre entrou na casa de seu Pedro Augusto, pai da ex-senadora e ex-candidata à presidência da República Marina Silva, que vive há 30 anos no bairro Cidade Nova, em Rio Branco.  A família ficou desalojada e precisou se mudar para a casa de parentes.  De acordo com Eudes Silva, sobrinho da ex-senadora, a água costumava chegar apenas até o quintal da casa.  Na varanda da residência, suspensa por vigas, é possível ver a altura que a água alcançou.

“Pela primeira vez a água entrou dentro de casa, nas outras alagações ficava no quintal. No ano passado faltou 50 cm para entrar na casa, mas dessa vez passou direto. Perdemos dois colchões de solteiro, porque suspendemos algumas coisas em cima da cama e quando amanheceu já estava molhado. Mas fora isso, não tivemos outras perdas”, disse.

Os tios de Eudes, que também moram na casa, já retornaram para a residência, que ainda está com o quintal coberto pelas águas do Rio Acre e com a energia elétrica cortada. Segundo eles, Pedro Augusto ainda deve ficar na casa de uma sobrinha até que a situação se normalize. “Estamos aguardando a água sair da rua para baixar os móveis e limpar tudo”, explica Eudes Silva.

O bairro costuma alagar todos os anos e a família muitas vezes fica ilhada, mas Silva ressalta que o pai da ex-ministra se recusa a se mudar do local, onde vive há mais de 30 anos. “Ele não quer sair daqui da Cidade Nova, já está aqui há muito tempo. Não gosta nem de falar da possibilidade de se mudar”, afirma.

Marina Silva visitou os familiares na semana anterior e passou por abrigos públicos instalados na capital acreana.

Cheia do Rio Acre

Após oito dias de vazante, o Rio Acre subiu dez centímetros em três horas, chegando à marca de 16,20 metros, às 9h desta quinta-feira (12). Depois, ele voltou a recuar, mantendo a marca de 16,17 metros até a medição das 6h desta sexta-feira (13) e subiu 2 centímetros na medição das 9h.. Apenas em Rio Branco, a enchente histórica do Rio Acre alcançou 53 bairros, tirou de casa 10,4 mil pessoas e afetou diretamente mais de 87 mil habitantes. No total, a cheia atingiu os municípios de Assis Brasil, Epitaciolândia, Brasileia, Xapuri e Porto Acre.

Das mais de 10,4 mil pessoas desabrigadas pela enchente histórica do rio, apenas 1,7 mil retornaram para seus lares. De acordo a Sala de Situação, dos 53 bairros atingidos, 48 permanecem alagados mesmo com a vazante.

No dia 4, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) reconheceu o estado de calamidade pública por rito sumário para as cidades de Rio Branco e Brasileia.

No dia 10, a União liberou mais de R$ 4,5 milhões para a execução de ações de socorro, assistência e restabelecimento de serviços essenciais nos municípios de Rio Branco, Xapuri, Epitaciolândia, Sena Madureira e Assis Brasil, atingidos pela cheia do Rio Acre.

A presidente Dilma Rousseff visitou a capital acreana nesta quarta-feira (11). Ela se reuniu com o governador do Acre, Tião Viana e prefeitos de cidades acreanas atingidas pela cheia, depois fez um sobrevôo nas áreas atingidas, visitou um abrigo no Ginásio do Sesi e depois entregou quase mil casa populares para atingidos pela cheia.

Por: Veriana Ribeiro
Fonte: G1 

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