Município da Amazônia dá exemplo de como gerenciar crise hídrica

Em tempos de crise hídrica, um projeto que visa aliar produção e preservação dos recursos naturais em Alta Floresta, região norte de Mato Grosso, vem ganhando destaque. Através do projeto Olhos d´água da Amazônia, cerca de quatro mil nascentes, das seis mil existentes no município, já estão em processo de recuperação. A ação teve início em 2011, depois de o município ter ficado sem água por conta da seca que atingiu a bacia Mariana, responsável pelo abastecimento. O problema foi gerado pelo alto grau de degradação das nascentes que integram a bacia.

Além de restaurar Áreas de Preservação Permanente (APPs) degradadas, foram desencadeadas outras ações de combate ao desmatamento e a degradação ambiental no município que já fez parte da lista dos maiores desmatadores da floresta amazônica, do Ministério do Meio Ambiente. Hoje, Alta Floresta têm mais de 80% do território com Cadastro Ambiental Rural (CAR), taxas de desmatamento e queimadas monitoradas e sob controle, além de ações que incentivam o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, tanto para agricultura familiar com base agroecológica, quanto para a pecuária, já que o município é o quarto maior polo de produção de carne bovina de Mato Grosso.

Realizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alta Floresta, o projeto Olhos d´água da Amazônia acumula números importantes em favor do meio ambiente e da população. Os recursos somam R$ 7 milhões financiados pelo Fundo Amazônia/BNDES e a meta é recuperar cinco mil hectares de APPs nos próximos três anos, o que possibilita a revitalização das cinco mil nascentes de água. Deste montante, cerca de 2.500 hectares já estão em processo de recuperação.

A coordenadora da Iniciativa Municípios Sustentáveis do Instituto Centro de Vida (ICV), Irene Duarte, que já foi secretária de Meio Ambiente de Alta Floresta, ressalta que o empenho e a dedicação da Secretaria e a parceria da sociedade e de organizações não governamentais foram essenciais para esse sucesso. “Alta Floresta estava com suas nascentes comprometidas e, com isso, o abastecimento de água. Graças ao empenho da Secretaria em buscar parcerias e recursos, o município já conseguiu ganhos significativos na recuperação das APPs”, reforçou.

A atual secretária de Meio Ambiente, Aparecida Sicuto, explica que projeto Olhos D’Água da Amazônia conseguiu conscientizar a população sobre a importância das Áreas de Preservação Permanente. “O produtor está consciente e com a ajuda de custo e de capacitação que o projeto oferece, estamos conseguindo atingir as metas. O município de Alta Floresta, hoje, é uma referência para o Brasil. Se falando de água, nós podemos observar que está tendo uma crise hídrica no país, com esse trabalho estamos nos antecipando e procurando solucionar os problemas no nosso município”, complementa Aparecida.

“Alta Floresta se destaca por iniciativas de sucesso através da mobilização da sociedade que possibilitaram muitas conquistas na área ambiental. Mas ainda existem desafios e é preciso continuar esse trabalho sem retroceder, pois disso depende o futuro que teremos”, ressaltou Irene Duarte.

Conheça um pouco dessa história no vídeo-animação Alta Floresta: município em busca da sustentabilidade.

Por: Djhuliana Mundel
Fonte: ICV 

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