Vazante lenta do Rio Acre adia volta de 8,6 mil para casa em Rio Branco

Dos 53 bairros atingidos pelas águas do rio, 48 permanecem alagados. Apenas 1,7 pessoas voltaram para casa em Rio Branco.

Baixando lentamente desde o dia 4 de março, quando a tingiu a marca de 18,40 metros, o Rio Acre continua deixando mais de 8,6 mil pessoas fora de casas em Rio Branco. Das mais de 10,4 mil pessoas desabrigadas pela enchente histórica do rio, apenas 1,7 mil retornaram para seus lares até esta quinta-feira (12). De acordo a Sala de Situação, dos 53 bairros atingidos, 48 permanecem alagados mesmo com a vazante. Nesta quinta-feira (12), o Rio Acre atingiu a marca 16,10 metros, na medição das 6 horas.

Mesmo com a vazante de 2,3 metros da maior marca registrada, ao menos 2,5 mil famílias permanecem em abrigos públicos e privados da capital, ou seja, 8.649 pessoas. Somente no maior abrigo público de Rio Branco, instalado no Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, mais de 1,3 mil famílias continuam longe de suas casas.

Suhellen Barros, de 26 anos, se mudou para o abrigo na escola estadual Lourival Sombra, com a madrinha do marido, que está preso, quando o rio invadiu sua casa no bairro Bahia. Quando deixar o abrigo, ela diz que não terá para onde voltar já que sua casa ficou com a estrutura comprometida após a cheia.

“Estou aqui desde o dia 5 deste mês. Morava de favor na casa de uma pessoa, a madrinha do meu marido. A casa alagou e no dia que o bombeiro foi me buscar, ele disse que a casa está com risco de desabar. Eu não vou voltar para uma casa que vai desabar, não tenho para onde ir. Perdi todos os meus móveis, vim para cá só com a roupa do corpo”, desabafa.

Dos 28 abrigos montados na capital, 6 foram desativados até esta quarta. Segundo informações da Sala de Situação a maioria das famílias que estão deixando os abrigos, são as que ficaram desabrigadas após o Rio Acre atingir a marca de 16 metros e com a vazante já foi possível retornar para casa. Os abrigos desativados são:

Escola João Mariano

Escola Boa União

Escola Aurea Pires

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre (IFAC)

Escola Marilda Gouveia

Escola Ramona de Castro

Enchente histórica

No dia 23 de fevereiro, a cheia do Rio Acre começou a desabrigar as primeira famílias. Naquele dia, 12 foram levadas ao Parque de Exposições. No entanto, a enchente histórica desabrigou 10,4 mil pessoas e atingiu direta ou indiretamente 87 mil. Foram 900 ruas afetadas e um total de 24.713 edificações. Pelo menos 27 abrigos foram montados em Rio Branco.

Com a vazante, algumas famílias começaram a retornar para suas casa. Uma mega operação de limpeza foi lançada nos 53 bairros atingidos. Integram o Plano Emergencial de Limpeza Pós-Alagação 30 equipes com 330 homens, 273 operadores e 280 equipamentos. Os trabalhos são coordenados pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).

Estado de calamidade

A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil reconheceu no dia 4 deste mês o estado de calamidade pública por rito sumário para as cidades de Rio Branco e Brasileia. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União. No último sábado (7), o estado de calamidade foi reconhecido em Xapuri. O anúncio foi feito durante visita do ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas.

Por: Iryá Rodrigues
Fonte: G1 

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