Índios deixam prédio da Funai após promessa de reunião

Cerca de 100 índios de 9 etnias protestam contra Belo Monte. Norte Energia diz que compensações irão acontecer no prazo.

Índios protestam em frente ao Ibama, em Altamira | Felype Adms

Os índios que ocuparam o prédio da Funai e a sede do Ibama em Altamira nesta quinta-feira (23) aguardam uma reunião com representantes dos dois órgãos para debater o cumprimento das compensações para aldeias da região do Xingu por conta da construção da usina hidrelétrica Belo Monte, que está sendo construída no município vizinho de Vitória do Xingu. Segundo a Norte Energia, responsável pelo empreendimento, a empresa possui 28 projetos voltados para comunidades indígenas, e que investiu mais de R$ 200 milhões nas aldeias.

Os índios aguardam a chegada dos representantes do Ibama e Funai, cujos voos já estão confirmados. Ainda não há, porém, um horário e local definidos para a reunião que deve ocorrer ainda nesta sexta-feira (24).

Entenda o caso

Cerca de 100 índios de 9 aldeias da região do Xingu ocuparam a sede do Ibama de Altamira durante a manhã de quinta-feira. Durante a tarde, eles se deslocaram para o prédio da Funai protestando contra o descumprimento do componente indígena que faz parte do Plano Básico Ambiental para a instalação da usina.

As lideranças indígenas reafirmaram que as aldeias são prejudicadas pelos impactos das obras da usina de Belo Monte e reclamaram da demora na execução do projeto elaborado para beneficiar as aldeias. “Nós não temos estrada boa, nós não temos nenhum projeto bom para a gente sobreviver dentro da nossa área. Quando terminar a barragem eles vão embora, e nós, vamos ficar em que?”, disse Nambú Kayapó.

Os manifestantes também cobram que o Ibama seja rigoroso na concessão da licença de operação da hidrelétrica, exigindo que a operação não seja liberada em 2015.

Segundo a Norte, todas as obras do Projeto Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI) da Usina Hidrelétrica Belo Monte já estão contratadas ou em fase final de contratação. Não há nenhum risco das ações deixarem de ser executadas. Os prazos de conclusão estão sendo acordados com a Fundação Nacional do Índio de acordo com o suporte de cada uma das aldeias, das nove etnias beneficiadas pelo empreendimento.

Fonte: G1

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