Sem transporte escolar, alunos se arriscam na travessia do lago do Puraquequara, Zona Leste

O serviço, de responsabilidade da Seduc, teria sido suspenso porque terminou o contrato com a empresa responsável pelo transporte

Os estudantes moram nas comunidades de São Francisco Mainã, Santa Luzia, Boa Vista e São Luis de Gonzaga (Márcio Silva)

Desde o início das aulas, em fevereiro, 46 alunos que moram nas comunidades do lago do Puraquequara, Zona Leste, estão sem o serviço do barco escolar que os transportava para a vila do mesmo nome, onde fica a Escola Estadual Irmã Gabrielle Cogels, única com Ensino Médio no bairro.

O serviço, de responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), teria sido suspenso porque terminou o contrato com a empresa responsável pelo transporte.

Os estudantes moram nas comunidades de São Francisco Mainã, Santa Luzia, Boa Vista e São Luis de Gonzaga. Na mesma distância da última, fica a residência de vários estudantes, na margem esquerda do Rio Amazonas.

“Tem criança que não está indo para escola porque o pai não tem transporte e nem dinheiro para colaborar com a gasolina de quem tem. Aqui, o litro da gasolina custa quatro reais. No mínimo são dois litros de gasolina que se gasta para ir e voltar. É muito para quem vive só da agricultura e da pesca”, desabafa Linete Farias da Silva, 30, estudante de Pedagogia e mãe do Mateus, de 12 anos, que atravessa o lago todos os dias.

“Já estouraram todos os prazos dados pela Seduc. Agora disseram que a partir do dia quinze vão resolver essa situação. Não temos condições de ficar bancando uma responsabilidade que é do Estado. Não sou eu, é a Constituição que diz isso”, completa a futura pedagoga.

A escola funciona em regime integral, do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º do Ensino Médio e os alunos chegam às 7h e saem às 16h. As escolas de Educação Infantil e até o 5º ano do Ensino Fundamental, são administradas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) e funcionam nas comunidades.

De acordo com os moradores, a Semed oferece transporte. “É uma lancha com cobertura e conforto para as crianças. É o mesmo serviço oferecido antes pela Seduc”, confirma o autônomo Francisco da Silva, 50, morador da comunidade São Francisco Mainã.

“Nós até que moramos mais perto, cerca de trinta minutos num rabeta (motor de popa) para chegar na vila (bairro Puraquequara), mas têm crianças que passam até uma hora e meia viajando. O custo com gasolina é de mais ou menos cento e cinqüenta reais por mês”, revela a vendedora Marinete Farias, 45.

Alunos se arriscam

Todas os dias 46 alunos do Ensino Médio, que moram nas comunidades próximas a Puraquequara, chegam às 7h e retornam às 16h sendo transportados em várias pequenas canoas motorizadas, correndo os riscos que o rio oferece.

Aluno do 1º ano, Moisés Marinho Vieira, de 16 anos, morador da comunidade São Sebastião, é quem pilota a pequena embarcação de seu pai, trazendo e levando colegas de aula.

Ele, como outros que fazem a mesma coisa, pagam o dono de um flutuante próximo ao porto para cuidar do barco até o término da aula. “A gente gasta quatro litros de gasolina por dia. É muita despesa”, reclama o “aluno piloto”.

A doméstica Edna Rodrigues, 36, é quem transporta os filhos de 11 e 17 anos, pilotando um rabeta (pequeno motor de popa). Ela mora na comunidade Santa Luzia, faz o percurso em 30 minutos e gasta dois litros de gasolina por dia, que custam R$ 8. “Não confio de mandar eles sozinhos. Tem perigo de acidente com barcos e aqui já teve até roubo de embarcações”, relata.

Resposta

A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que o novo contrato de transporte escolar já está em fase de processo licitatório, objetivando a contratação de empresa especializada para o serviço de transporte escolar de todo o Estado.

A assessoria ressaltou que todos os estudantes que porventura ficaram desassistidos do serviço de transporte terão acesso a um calendário especial de reposição de aulas.

Fonte: A Crítica

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