Área maior que município de São Paulo será leiloada no Pará

Terrenos da indústria de pisos Trevo, que faliu em 2007, vão a leilão com lance mínimo de R$ 35 por hectare.

Terras na Ilha de Marajó (PA) serão leiloadas a R$ 35 por hectare (Foto: Nao Iizuka/Flickr)

Uma área maior que a cidade de São Paulo está prestes a ser vendida no estado do Pará. Talvez vire uma reserva legal, uma área para exploração de madeira ou até sirva para vender créditos de carbono (que compensam emissões poluentes de alguma empresa). Tudo vai depender do futuro proprietário. Os terrenos irão a leilão no dia 3 de junho a um preço competitivo para o setor: o lance mínimo está fixado em cerca de R$ 9 milhões – ou, R$ 35 reais por hectare. Mas, segundo o leiloeiro responsável, Helcio Kronberg, há potencial da venda chegar a R$ 25 milhões.

As terras pertenciam à indústria de pisos laminados Trevo, que faliu em 2007. O dinheiro do leilão servirá para pagar dívidas trabalhistas, com fornecedores e com o governo. Somadas, as terras possuem 250 mil hectares – ou 2.500 quilômetros quadrados. São mil quilômetros quadrados a mais que o município de São Paulo. E estão divididas em alguns lotes nos municípios paraenses de Gorupa, Anajas, Breves, Portel e Afua, na Ilha de Marajó.

Como essa região passa seis meses por ano alagada, os terrenos não possuem vocação para se tornar fazendas de pecuária ou soja. Segundo Eduardo Reale, agrônomo que fez a avaliação dos locais, é provável que os interessados em comprá-las queiram fazer exploração madeireira já que há muitas espécies nobres por ali. Há também a possibilidade de manter a mata preservada para ser aproveitada no mercado de créditos de carbono, ou de torna-la uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Outra possibilidade é que seja destinada a fazendeiros que desmataram suas fazendas além do que a lei permite e queiram compensar essa devastação com cotas de reserva ambiental.

Os terrenos nunca foram explorados pela indústria Trevo para a retirada de madeira. Suas fábricas ficavam em Curitiba e as terras paraenses foram compradas pouco tempo antes de ser decretada a falência. Assim, a floresta ali está praticamente intacta. Praticamente porque, como não há cercas ou delimitações dos lotes, aconteceram algumas invasões de madeireiros ilegais. Passar as terras para um proprietário pode ser a chance para essas florestas estarem melhor protegidas. “Esperamos que o comprador faça um uso consciente dos lotes”, diz Kronberg.

Os responsáveis pelo leilão, no entanto, não podem exigir nenhum termo de comprometimento ambiental, nem fazer restrições caso algum desmatador tenha dinheiro e queira comprar as terras. Segundo o agrônomo Reale, se o futuro proprietário respeitar o Código Florestal, já será um bom começo.

Essas terras já tinham passado por uma primeira tentativa de leilão em dezembro de 2014, mas nenhum negócio foi fechado. Dessa vez, há mais chances de realizar a venda já que foi autorizado que o comprador parcele em até 36 vezes as terras.

Fonte: Revista Época

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