Cheia dos rios já afeta 145,4 mil pessoas no Amazonas

Em Manaus, a cota do Rio Negro já está 14 centímetros acima do registrado neste mesmo período no ano passado

Em estado de calamidade, Boca do Acre (AM) sofre com a cheia do rio (Evandro Seixas)

Já chegou ao numero de 20.905 mil pessoas afetadas pela cheia no município de Boca do Acre, na calha do Purus, de acordo com o balanço de enchente atualizado nesta segunda-feira (11) pela Defesa Civil do Estado do Amazonas. O município já se encontra em estado de calamidade pública.

Foram enviados 47.300 toneladas de alimentos não perecíveis, além de kit´s dormitório com colchões, redes e mosquiteiros, material de higiene pessoal, medicamentos, filtros de água, água potável, hipoclorito de sódio, para assistir as famílias. Setenta famílias ficaram sem moradia e foram alojadas em abrigos humanitários.

Em estado de alerta encontram-se os municípios de Humaitá, Fonte Boa, Uarini e Alvarães. Ao todo, 20 municípios estão em situação de emergência, são eles: Itamarati Guajará, Ipixuna, Eirunepé, Envira e Juruá, todos banhados pelo Rio Juruá. E Canutama, Tapauá, Carauari, Pauiní e Lábrea, na calha do Rio Purus. Já do Alto Solimões estão, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Tabatinga, Amaturá, Santo Antônio do Iça, São Paulo de Olivença, no Alto Solimões, Tonantins além de Tefé e Coari, totalizando 145.450 pessoas afetadas.

Cerca de 426 toneladas de alimentos não perecíveis, além de kit´s dormitório com colchões, redes e mosquiteiros, material de higiene pessoal, medicamentos, filtros de água e hipoclorito de sódio foram providenciados e enviados aos municípios, de acordo com o Governo do Estado. A Defesa Civil informou o valor do repasse Financeiro do Governo Estadual para os municípios mais afetados. Para Boca do Acre foi repassado R$ 550 mil, em Envira o valor foi de R$ 200 mil, para Itamarati a verba foi R$ 200 mil e em Eirunepé R$ 300 mil.

Em Manaus

A subida das águas assusta os amazonenses. Em Manaus, a cota do Rio Negro, nesta segunda-feira, atingiu o nível de 28,68 metros. O rio subiu 14 centímetros a mais se comparado aos 28,54 metros registrados na mesma data em 2014. Com a subida das águas, outros problemas são desencadeados, como a quantidade de lixo nos igarapés e a saúde pública.

Diariamente são retiradas em torno de três toneladas de lixo dos igarapés, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp). O encarregado Abraão Araújo afirma que, de duas a três vezes por semana, equipes trabalham na remoção de lixo dos igarapés, que é encaminhado para o aterro sanitário. No entanto, a quantidade de sujeira jogada ao longo da semana é maior que a retirada pelas equipes da Semulsp.

Atenção com a saúde e controle do lixo

A atenção com a saúde no período da cheia realmente deve ser redobrada. Com as inundações, aumentam os riscos de contaminação e disseminação de doenças infecciosas, transmitidas por água ou alimentos contaminados como leptospirose, hepatite A, hepatite E, febre tifóide, cólera e doenças diarréicas.

Assim, também é responsabilidade da população trabalhar nesse apoio ao controle de produção de lixo, e principalmente de conduzi-lo ao local certo, as lixeiras. O acúmulo de sujeira conduzido pelas águas favorece a proliferação de animais e insetos causadores de doenças, como ratos, baratas e mosquitos, além de acidentes que ocasionam o tétano. Desta forma, é importante evitar contato com água contaminada.

Prevenção

Para evitar a ocorrência de surtos neste período, a Semsa recomenda algumas medidas a serem adotadas pelas equipes de saúde e pela população, para amenizar os efeitos das enchentes sobre a população, tais como:

* Armazenar e descartar adequadamente o lixo doméstico evitando o acúmulo;

* Evitar o contato com água potencialmente contaminada ou proveniente de áreas alagadas;

* Procurar imediatamente uma unidade de saúde mais próxima da sua casa quando do surgimento de sinais e sintomas de doenças provenientes da ingestão de água ou alimentos contaminados;

* Atualizar as vacinas Antitetânicas, Hepatite B, Tríplice Viral e Febre Amarela, das pessoas em área de risco;

* E, utilização de hipoclorito de sódio para cloração de água para consumo humano.

Por: Adália Marques
Fonte: A Crítica 

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