Dois anos após a morte da radialista Lana Micol, caso segue sem solução

Dois anos após o assassinato da radialista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) Lana Micol Cirino Fonseca, o caso segue sem solução. Lana era coordenadora da Rádio Nacional do Alto Solimões. Ela morreu na noite de 26 de maio de 2013, assassinada em frente à casa onde morava, em Tabatinga, no Amazonas. O ex-marido dela é acusado de ser o mandante.

“A Justiça é muito lenta. Acho que o caso vai prescrever e não vai acontecer nada”, diz o pai de Lana, Antonio Moisés Fonseca. “Nós não buscamos de forma alguma vingança, queríamos que pelo menos a justiça fosse feita. Acho que não vai acontecer nada e me sinto mal, me sinto impotente.”

O caso está tramitando em Tabatinga e estava sob os cuidados juíza Eline Paixão e Silva Gurgel do Amaral. Atualmente, a 2ª Vara está sem titularidade. O juiz Francisco Possidônio da Conceição está respondendo cumulativamente desde março deste ano. Fonseca conta que chegou a procurar o juiz, mas que ele ainda não tinha conhecimento do caso. A Agência Brasil entrou em contato com a vara, mas não conseguiu falar com o juiz, que não estava no momento.

“A vida da minha filha foi ceifada de forma muito violenta, e foi muito rápido. Hoje eu acordei de madrugada, fui fazer as minhas orações. A gente lembra todo dia, mas hoje, no dia 26, a gente fica relembrando mais ainda”, diz o pai.

Segundo colegas da emissora, Lana estava em um momento de lazer com a filha e o namorado, o sargento Alan Bonfim, quando duas pessoas chegaram em uma moto e fizeram vários disparos. O sargento socorreu a radialista, mas ela chegou sem vida ao hospital. Lana deixou dois filhos, uma criança de 7 e outra de 11 anos.

“Aqui, qualquer coisa eles mandam matar. É perigoso, as pessoas ficam receosas”, diz Fonseca, ao acrescentar que já teve que intervir no relacionamento da filha com o ex e que ele era violento. As investigações policiais apontam Edimar Nogueira Ribeiro, ex-marido de Lana, como principal suspeito. Ele passou 90 dias preso e aguarda julgamento em liberdade.

Lana deixa saudades. “Perdemos uma grande amiga, uma grande profissional. Todos ainda sentem essa perda e o sentimento é ainda maior com a impunidade”, diz a coordenadora da rádio, Mislene Ferreira.

Ainda em 2013, como conselheira da EBC, Maria da Penha sugeriu que a empresa tomasse alguma medida para ajudar a combater a violência contra a mulher na região. Vítima de violência, ela deu nome à Lei 11.340/2006, a Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Desde então, a EBC está em contato com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República. Tabatinga foi incluída no Programa Mulher: Viver sem Violência e receberá um centro de atendimento à mulher, que terá o nome Lana Micol. O local foi decidido este ano e aguarda a liberação do Banco do Brasil, reponsável pelos recursos das obras.

Por: Mariana Tokarnia
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Maria Claudia

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