Cheia: Amazonas tem prejuízos de R$ 64 milhões e comerciantes sofrem com queda nas vendas

A análise leva em consideração 41 itens agrícolas com maior produção em 21 municípios do Estado

Enchente deste ano causa grandes prejuízos na produção agrícola (Márcio Silva)

Em todos os anos, a cheia dos rios ocasiona, em vários aspectos, índices alarmantes de afetados e de desabrigados, o que estimula o investimento em ajudas humanitárias com valores altíssimos. Anualmente, a cheia também “quebra” a economia do Amazonas, sentida principalmente por comerciantes que sobrevivem da produção local. E essa perda não é pouca em 2015.

Um levantamento feito pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) apontou que, até junho deste ano, R$ 64.833.495,37 de produtos agrícolas foram perdidos devido à cheia dos rios. O valor foi fechado no dia 19 de junho, mas segundo o Idam, é atualizado semanalmente.

A análise leva em consideração 41 itens agrícolas com maior produção em 21 municípios do Amazonas.

Conforme a tabela do Idam, a maior perda até o momento está concentrada na produção de mandioca, com prejuízo de R$ 22.625.940,00. Em segundo surge a couve, com R$ 9,4 milhões de perdas, seguida da banana, registrando R$ 8,8 milhões e o cultivo de hortaliças, como cebolinha e coentro, que amargaram prejuízos de R$ 3,5 milhões.

Em relação ao setor pecuarista, também há um prejuízo grande, sobretudo para os criadores de aves. O Idam apontou no seu levantamento que 15.269 cabeças foram perdidas, ao passo que 2.427 porcos e 654 bovinos também entraram nas estatísticas.

Municípios

O consumo agrícola da capital é abastecido principalmente por produções das regiões de várzea, as quais foram profundamente afetadas pelas inundações dester ano. Diante disso, o Idam também organizou as perdas de acordo com os municípios.

A cidade com maior prejuízo agrícola até agora é Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. Lá, o dano chegou a R$ 16.590.269,00. A seguir, com prejuízo de R$ 15,2 milhões está Envira, com 876 famílias atingidas, Careiro da Várzea com R$ 8,8 milhões e 523 famílias atingidas e Boca do Acre – um dos dois municípios em calamidade pública – com R$ 4 milhões de prejuízo e 897 famílias atingidas.

Prejuízo grande para o comércio

O reflexo da cheia no interior, acrescido da falta de saneamento básico da capital vem derrubando as vendas no comércio de Wendel Uchôa Costa, 38. Gerente de um estabelecimento na rua Barão de São Domingos, no Centro, ele vem sofrendo na pele – e no bolso – os estragos ocasionados pela subida das águas.

Segundo ele, desde o fim de maio, período em que o rio Negro atingiu a cota de 29 metros, as suas vendas caíram cerca de 80%. “A pior época é essa do repiquete. Antes vendíamos numa média de três mil produtos por dia, hoje fechamos em 500. A gente vai se virando do jeito que pode, o que não vamos fazer é fechar”, diz ele.

Há um ano como gerente da loja, Wendel conta que o prejuízo em seu comércio está concentrado principalmente na venda de tomates e maçãs, justificado por ele pelo fato de os dois alimentos precisarem ser vendidos em no máximo três dias. “Já perdi seis caixas de tomate e três de maçãs. As pessoas não compram em um local que fede e é difícil de andar” diz ele.

Questionado sobre permanecer na área assim que as águas baixarem, ele explica o seu desejo de continuar. “Aqui é um bom ponto, apesar desse problema. Uma solução seria a Prefeitura se preocupar com a rede de esgoto. Toda essa água vem do esgoto… Acho que o maior risco é esse, porque um jeito a gente sempre vai dar pra vender”, afirma.

Medidas

Entre as ações da Prefeitura na área do Centro para amenizar os estragos, está o despejo de produtos químicos como o cal, usado para descontaminar a água e diminuir o mau cheiro.

Cheia atinge boa parte do Amazonas

Conforme último balanço da Defesa Civil, 48 municípios do Estado estão em situação de anormalidade, sendo Boca do Acre e Anamã as duas cidades em estado de Calamidade Pública. O órgão ainda aponta que 92.024 famílias foram afetadas, o que corresponde a 460.191 pessoas atingidas.

Os municípios em Situação de Emergencia são: Guajará, Ipixuna, Envira, Eirunepé, Itamarati, Carauari e Juruá no Rio Juruá e Lábrea, Canutama, Pauini, Tapauá e Beruri no Rio Purus. Benjamim Constant, Tabatinga, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antonio do Içá, São Paulo de Olivença, Tonantins, Jutaí e Fonte Boa no Alto Solimões e Tefé, Alvarães, Uarini, Codajás, Anori, Anamã, Coari, Caapiranga, Manacapuru, Careiro da Varzea, Manaquiri, Careiro no Médio Solimões, Maraã e Japurá no Rio Japurá, Borba no Rio Madeira e Itacoatiara, Silves, Urucurituba no Médio Amazonas, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Urucará e Parintins no Baixo Amazonas.

Ao todo, 807 toneladas de alimentos não perecíveis, kit´s dormitório (colchões, redes, mosquiteiros) kit´s de higiene pessoas, medicamentos, filtros de água e hipoclorito de sódio foram distríbuídos pela Defesa Civil.

Saiba mais: Repiquete

O ciclo normal das águas amazônicas sofre alterações de subida e descida drástica por conta das chuvas que ocorrem nas cabeceiras das calhas dos rios. Quando param de subir, ocorre o fenômeno do repiquete, que é uma reação de subida repentina e pouco duradoura, como se fosse um sinal de que começariam a descer. A oscilação é tão grande que afeta o metabolismo dos peixes, modificando substancialmente o seu comportamento. Em tais situações, a temperatura dos lagos fica tão baixa que alguns peixes ficam inativos.

Rio Negro

Conforme o sistema de medição do Porto de Manaus, o rio Negro esteve, até a última sexta-feira, com a cota de 29,65. O nível está estabilizado desde a última quarta, após as águas terem subido um centímetro.

Em números

R$ 64 milhões. Esse é o valor da perda de produtos agrícolas perdidos devido aos efeitos negativos da cheia dos rios no Amazonas, neste ano. O número é fruto de um levantamento feito pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), até junho deste ano.

Fonte: A Crítica

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