Seminário sobre agroecologia define lista de recomendações para América Latina

A inclusão permanente do tema agroecologia em grupos de trabalho da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a criação de mecanismos de cooperação entre países e a promoção de políticas públicas de fomento agroecológico são algumas das 18 recomendações no documento final elaborado pelos participantes do Seminário Regional sobre Agroecologia na América Latina e Caribe.

O evento teve início na última quarta-feira (24), quando representantes do governo e de movimentos ligados à agricultura familiar de mais de 20 países da região se reuniram, em Brasília, para trocar experiências sobre o desenvolvimento da agroecologia.

O secretário da Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para América Latina e Caribe, Tito Dias, disse que as recomendações serão importantes para elaborar uma agenda sobre o tema e orientar ações.

“Os participantes dos governos vão se encarregar de, com base nas recomendações, incorporar ações concretas aos programas nacionais. Os representantes da academia também vão ver como podem fortalecer os programas de especialização nas escolas de agroecologia. É uma agenda que precisa ser construída a partir das alianças estabelecidas”, disse Tito Dias. Ele ressaltou que a partir de agora, com base no debate, pontos relacionados à agroecologia serão incorporados nos programas de cooperação técnica com os países integrantes da FAO.

O secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Onaur Ruano, disse que o documento traz diferentes tipos de recomendações. “Tem recomendações para políticas públicas, para comportamentos, que levam, sob o ponto de vista de incorporar nas suas agendas, ações que já são referências em alguns países, e em outras regiões você não tem isso funcionando”, salientou.

Ruano acredita que o debate terá impacto também na integração regional, uma vez que o evento contou também com representantes da Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul e da Celac. “Faz com que você possa ter repercussão disso nas instâncias de articulação regional, e aí sim, o tema passar a ser absorvido no debate sistemático do intercâmbio entre os países”, disse ele. O secretário acrescentou que as recomendações serão levadas para a Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica, da qual fazem parte dez ministérios.

Maria Emília Pacheco, representante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, disse que o debate foi importante para conhecer a experiência de outros países. Para ela, a expectativa é que o debate avance dentro de instâncias internacionais e, internamente, fortaleça a política já existente.

“Esperamos que essa política que existe ganhe fôlego, ganhe mais expressão, se amplie e se concretize, porque às vezes as medidas são tomadas e não se concretizam. O que precisamos é disso: que se concretize, a partir dos princípios que renovamos aqui, de reconhecimento do saber tradicional dos camponeses, das várias dimensões da agroecologia e da necessidade de garantia da terra”, reforçou.

Agora, a FAO fará seminários semelhantes com países da África e da Ásia, nos quais também serão formuladas recomendações regionais.

Por: Michèlle Canes
Fonte: Agência Brasil – EBC
Edição: Stênio Ribeiro

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