Sustentabilidade é debatida na culinária e produção audiovisual

Foto: Anderson Silva

Na quarta edição do Seminário Literatura & Sustentabilidade, promovido pelo Imazon e realizado neste sábado, 30 de maio, no auditório Benedito Nunes, durante a XIX Feira Pan-Amazônica do Livro, a sustentabilidade foi debatida por olhares diferentes; de Ide cozinha, engenheiros florestais, escritores a administradores, a tarde trouxe ricas discussões e diálogos sobre o tema da cultura permanente.

Na primeira formação de mesa participaram: Tasso Azevedo – engenheiro florestal, Estevão Ciavatta – autor, diretor e produtor e direto de cinema e TV e Renata Puchala – administradora responsável pela linha sustentável da empresa Natura.

Sobre a biodiversidade debatida, o trio de convidados e a mediadora Ursula Vidal chegaram ao consenso: “Para vivermos a verdadeira mudança de atitude sobre como consumimos, seja energia, alimentos ou outras matérias, precisamos inovar, buscar novas formas, olhar para a energia e pensar que ela pode ser captada de outras fontes”, resumiu Renata Puchala.

Tasso Azevedo complementa que na atualidade existe uma falta de conexão com os hábitos e a história que deu origem a tudo e todos. “Precisamos identificar que sustentabilidade não é um adjetivo, mas é uma forma de ser, viver, encarar as coisas, é um valor. As ações do dia a dia, nas nossas escolhas de vida privada, de politica pública, buscar as atitudes que garantam que os aspectos sociais ambientais e econômicos contemplem com as gerações do presente e do futuro”, afirmou.

No segundo tempo, o debate foi sobre o conceito “Farm to Table”, com o foco na Amazônia. O movimento consiste no cuidado com a produção de alimentos a partir de uma agricultura sustentável e apoiada pela comunidade. Dela participaram os chefs Alex Atala, Thiago Castanho e o escritor Roberto Smeraldi.

“A diversidade da Amazônia que tanto escrevo , está presente no alimento. Não podemos falar de uma gastronomia única da Amazônia, pois são inúmeras que não é possível mensurar. Mas algumas como a do Pará, já possuem um formato através de conjunto de ingredientes. A diversidade está presente até mesmo do preparo dos mesmos pratos, mas com ingredientes diferentes”, ressaltou o escritor Roberto Smeraldi.

Alex Atala exerce, hoje, um papel que vai além da cozinha. Ele trabalha como verdadeiro pesquisador, descobridor e antropólogo da gastronomia e vem colocando a Amazônia em destaque a nível nacional e internacional. “Diversidade é um pouco mais profundo que a gente imagina, por exemplo: a biodiversidade quando a gente fala não tem valor, quando a gente prova ganha valor. E é ai que a comida pode ser o grande amigo dessa diversidade, nas múltiplas opiniões que vão ser criadas pela Amazônia e que assim poderá crescer com o trabalho de todos”, frisou.

Na cadeia produtiva, aproveitar todo o alimento e a preocupação de cada um com o que acontece com o lixo, quando ele sai das casas também foram discutidos. “No início da minha carreira senti a necessidade de pesquisar os produtos e foi então que entendi que por trás dos produtos temos pessoas atrás deles”, explicou Alex.

Sobre esse reconhecimento, Atala completou utilizando como exemplo as vendedoras do Ver-o-Peso – convidadas para o festival gastronômico Ver-o-Peso da Cozinha Paraense. “Quando as boeiras são levadas para o mercado da gastronomia e apresentadas, isso traz para elas dignidade. A comida de rua é o cartão de visita de uma cidade. Precisamos trabalhar mais, afinal a comida conecta mais de 7 bilhões de pessoas no mundo”, destacou.

A apresentadora Regina Cazé encerrou o Seminário fazendo uma abordagem sobre a contribuição do audiovisual para sustentabilidade. Em seguida, todos os palestrantes participaram do Ponto do Autor.

Por: Fernanda Scaramuzzini
Fonte: Gazette 

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