Com água imprópria, rio Amazonas ameaça saúde de velejadores do AP

Imap reprovou qualidade da água pelo segundo ano seguido, em Macapá; esportistas temem infecções por doenças causadas pela água do rio

Água da orla do bairro Cidade Nova está imprópria, em Macapá (Foto: Abinoan Santiago/GE-AP)

Pelo segundo ano consecutivo, o Instituto de Meio Ambiente do Amapá (Imap) classificou como “imprópria” a água da orla do bairro Cidade Nova, na Zona Leste de Macapá. O resultado deixou em alerta os atletas que utilizam o espaço para o kitesurfe. Eles demonstraram preocupação para com possíveis doenças causadas pela qualidade da água ingerida durante a prática esportiva. O caso fez a Associação de Velejadores do Amapá (Avap) levantar a possibilidade de trocar as águas pelos tribunais, com a possibilidade do ingresso de uma ação judicial contra órgãos públicos.

A Avap avalia que desde 2013 procura chamar atenção para a qualidade da água do rio Amazonas. A reivindicação por melhorias nas condições do local ganharam repercussão dos esportistas depois de um estudo da Universidade Federal do Amapá (Unifap), que também constatou o alto índice de coliformes onde os atletas praticam o kitesurfe.

– De três em três meses tomo remédio para prevenir problemas de saúde. Já teve até casos de hepatite entre os praticantes. Certa vez um atleta levou uma ferrada de arraia, a lesão infeccionou devido ao contato com a água contaminada, ficando cinco meses impossibilitado de treinar – contou Eliton Franco, presidente da Avap.

A entidade avalia que um dos motivos para a contaminação do trecho do rio Amazonas, na Zona Leste de Macapá, deve-se pelo despejo do esgoto direto na água. Segundo o Imap, no bairro Cidade Nova, 80% do material coletado apresentava índice elevado de coliformes. Os testes medem a quantidade de bactérias na água. O tolerável, em coliformes, por exemplo, é de até 1 mil para cada 100 ml de água.

– Há certas horas do dia que fica insuportável alguns trechos da orla, mas os proprietários não se importam com o odor, somente com seus estabelecimentos – lamentou Franco.

Para a Associação dos Velejadores do Amapá, outro fator para a contaminação do local é a falta de educação ambiental de quem frequenta o espaço.

– O amapaense vira as costas para o Rio, é o nosso cartão postal, temos que cuidar e olhar de frente para ele. Tenho filho de cinco anos, quando completar seis vai aprender a velejar, já entende a importância que o Amazonas tem – finalizou o presidente.

Por: Karol Aood com orientação do editor Abinoan Santiago.
Fonte: Globo Esporter 

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