Família acredita na participação de mais pessoas em morte de ex-prefeito

‘Nós temos convicção que não foi apenas uma pessoa’, diz filho. João Batista Asfury foi morto e decapitado no domingo (5).

Seis dias após a morte bárbara do ex-prefeito de Porto Acre, João Batista Asfury, de 74 anos, a família quebra o silêncio e se diz convicta de que o assassinato do patriarca não contou apenas com a participação de Francisco Ralyson, de 22 anos, preso na segunda-feira (6), após assumir a autoria do crime. O ex-prefeito foi encontrado decapitado na madrugada de domingo (5) em frente à casa dele em Porto Acre, cidade que fica a 78 km da capital acreana. A cabeça foi encontrada em um barranco a 30 metros do corpo.

A convicção surgiu, segundo a família, porque Asfury teria habilidades de luta que o ajudariam a se livrar do ‘golpe de gravata’, que teria feito o ex-prefeito desmaiar e depois ser decapitado. “A gente acredita que tenham mais envolvidos porque meu pai, quando jovem, era muito forte e tinha uma força bruta mesmo, carregava tambor de 200 litros nas costas. Além disso, ele era lutador de boxe e tinha habilidades para se defender de uma pessoa que o atacaria sozinha. Apesar dos seus 74 anos, ele tinha muita habilidade e muita força”, conta o filho Alex Asfury, de 37 anos.

A família explica ainda que o ex-prefeito se dividia entre uma casa no interior do Acre e outra na capital. Segundo os filhos, como havia muito tempo que saíram de casa, o pai transformou uma tapeçaria em uma espécie de barraco, onde dormia quando estava na cidade. Porém, por muitas vezes, ficava na casa de uma sobrinha.

“O assassino diz que estava bebendo e se drogando o dia todo, mais um motivo para acharmos que ele não agiu sozinho. Até mesmo pela barbaridade com que o crime foi cometido, dá para saber que não foi apenas uma pessoa”, destaca o filho.

No dia do crime, os filhos contam que o pai estava na casa da sobrinha, mas insistiu em ir jogar dominó na casa de um amigo. Depois disso, para não incomodar ninguém na casa, decidiu ir até o barraco. “O marido da minha prima o acompanhou até o local do dominó e depois voltou para casa”, conta.

Alex relata ainda que o pai deveria saber que estava sendo perseguido, pois fez duas chamadas para um amigo que estava jogando com ele na mesma noite. “Ele ligou duas vezes para esse amigo que estava com ele antes do crime, porém, a chamada ficava muda. Talvez uma tentativa de avisar que estava correndo algum risco”, acredita.

Para o filho, o pai deveria estar bem próximo da pessoa que o matou. “Ou a pessoa estava bem próxima e ele não podia falar ou até do lado. Isso não era difícil, como era gente do convívio dele, ele pode ter parado e na conversa ter percebido alguma ação estranha que o fez ficar em alerta. Mas o recado não foi entendido”, lamenta.

A família ainda está muito abalada com o crime. Jacira Asfury, de 73 anos, conta que perdeu o marido um dia após ter completado aniversário de 44 anos ao lado do companheiro. Os olhos ainda se enchem de lágrimas quando a lembrança bate. “Não consigo falar, ainda estou em choque”, emociona-se.

Asfury tinha passado 60 dias em Belém, no Pará, acompanhado da esposa e do filho mais velho, o empresário Dilsoney Asfury, de 43 anos. Ele conta que antes da viagem de volta, passou 24 horas grudado com o pai.

“Mesmo com tudo isso, me sinto abençoado por Deus ter me concedido o prazer de ter passado 60 dias ao lado do meu pai. E mais ainda, as 24 horas do dia 29 para o dia 30 de junho, que foi quando eu fui deixá-lo no aeroporto”, diz emocionado.

Quatro dias após ter deixado o pai no aeroporto e ter se despedido, Dilsoney retornou ao Acre ao lado da mãe para enterrar o corpo do pai. “Ele era um homem muito humano e inteligente para não ter saído de uma situação como aquela”, lamenta.

O outro filho, Alex, diz que não quis ver a foto do suspeito. Segundo ele, só chegou a ver uma vez por acidente, porque a imagem estava estampada na capa de um jornal. “Não faz bem para a gente. O que nós queremos hoje é justiça, primeiramente divina, que dessa ninguém escapa e depois a dos homens, que às vezes a gente não consegue atingir. Mas, acreditamos que o caso será resolvido de maneira satisfatória quando forem encontrados todos os envolvidos. Temos convicção de que ele [suspeito] não agiu sozinho”, insiste.

O delegado Carlos Bayma, responsável pelo caso, informou que as investigações continuam e que o suspeito será novamente ouvido. “Estou indo ao presídio, juntamente com o Ministério Público, para escutá-lo novamente e tirar todas as dúvidas”, alegou.

A família pretende abrir um memorial na tapeçaria onde Asfury foi morto. Os filhos dizem que vão disponibilizar documentos e fotos que retratam a importância do pai para a cidade de Porto Acre, onde sempre escolheu viver. A missa de 7° dia do ex-prefeito ocorreu na noite deste sábado (11), no bairro Cohab do Bosque, em Rio Branco.

Entenda o caso

O ex-prefeito do município acreano de Porto Acre, João Batista Gomes Asfury, de 78 anos, foi encontrado decapitado, na madrugada deste domingo (5), em frente à casa onde vivia, na Rua Beira Rio, mais conhecida como Rua do Comércio.

De acordo com o delegado Regional de Porto Acre, Carlos Alberto Bayma, responsável pelo caso, a cabeça do ex-prefeito foi encontrada em um barranco a cerca de 30 metros do local onde o corpo foi deixado.

O suspeito pelo crime, Francisco Ralyson, de 22 anos, foi apresentado pela Polícia Civil na segunda-feira (6) e confessou o crime. Ao G1, ele disse que a vítima não teve tempo de falar nada e que teria cometido o crime porque estava sob o efeito de álcool e drogas.

“O terçado estava dentro da casa dele. Eu queria dinheiro, queria roubar, porque tinha passado o dia bebendo e usando droga. Não deu tempo dele falar nada”, declarou o suspeito no dia da prisão.

Por: Tácita Muniz
Fonte: G1 

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