Justiça concede liberdade provisória para envolvidos em fraude no Sisflora

Onze pessoas foram presas na última semana. Elas são suspeitas de fraudar créditos florestais.

A Justiça concedeu, na quinta-feira (9), liberdade provisória a duas pessoas presas no último dia 1° de julho, durante uma operação da Polícia Civil de combate a fraudes de créditos florestais. De acordo com a desembargadora que analisou o pedido de soltura, os suspeitos, pai e filho, são reus primários e, por isso, devem responder em liberdade ao processo. Outras nove pessoas continuam presas. A quadrilha movimentou mais de R$ 300 milhões e negociou de forma ilegal o equivalente a mais de 10 mil caminhões de madeira.

Segundo as investigações da operação, realizada em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e o poder judiciário, 29 empresas do Pará negociaram com o grupo nesse período e serão fiscalizadas. Foram presas 11 pessoas suspeitas de participação nas fraudes em Belém, em Ananindeua; na região metropolitana de Belém; em Itaituba, no sudoeste do estado; e Tucuruí, na região sudeste. Imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram um dos empresários suspeitos de envolvimento na quadrilha ostentando bolos de dinheiro

Com o esquema, os suspeitos vendiam madeira ilegal no Pará, no Amazonas e em Rondônia. As prisões ocorreram em condomínios de luxo localizados na Grande Belém e no interior. Carros, armas, documentos e computadores foram apreendidos.

Esquema 

A fraude ocorria da seguinte forma: o grupo criava empresas fantasmas para aprovar planos de manejo na Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).  As árvores declaradas viravam créditos de madeira, uma espécie de saldo em dinheiro nas contas das empresas cadastradas no Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), que controla a comercialização e o transporte de produtos florestais no Pará e possibilita a emissão de créditos florestais.  Os créditos geravam uma papelada oficial na compra e venda de madeira.  A documentação era usada para dar caráter legal a madeira retirada de áreas proibidas.

As fraudes teriam acobertado 400 mil metros cúbicos de madeira.  As ações da quadrilha começaram a chamar a atenção dos órgãos de fiscalização em fevereiro deste ano.  Na época, uma fraude milionária no Sisflora foi descoberta.  121 mil metros cúbicos de madeira tinham sido incluídos ilegalmente na conta de uma madeireira, que pertencia ao secretário de desenvolvimento econômico de Pacajá, preso junto com uma servidora da Secretaria de Meio Ambiente.  A empresa chegou a tentar fazer a venda do produto, mas foi bloqueada a tempo.

Fonte: G1

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