Pela web, índios do AC tentam arrecadar R$ 18 mil para festival

Povo Huni Kuin, de Feijó, quer realizar o 4° festival de valorização da cultura. Dinheiro arrecadado será utilizado, sobretudo, na infraestrutura do local.

Festival Huni Kuin tem data marcada para os dias 3, 4 e 5 de janeiro de 2016 (Foto: Divulgação/Huni Kuin)

O povo Huni Kuin, da terra indígena Seringal Curralinho, no município acreano de Feijó, distante 366 km da capital Rio Branco, iniciou, na segunda-feira (20), uma campanha na web para arrecadar R$ 18 mil para a realização de um festival, previsto para acontecer nos dias 3, 4 e 5 de janeiro de 2016. A arrecadação de recursos tem um prazo de 60 dias. O site da campanha pode ser acessado aqui

A contribuição para o Festival Produção e Valorização do Artesanato Huni Kuin pode ser feita a partir de R$ 10, em uma página na internet. A partir de R$ 30, o internauta pode receber diversas recompensas como forma de agradecimento, como pulseiras, cordões, tiaras, mochilas, coletes e roupas com os “kenês”, desenhos feitos pelo povo.

Segundo o cacique Ninawa Inu Huni Kuin, esta é a quarta vez que o festival será aberto ao público. No entanto, internamente, já é uma tradição do povo. Ele conta que a programação é também para fortalecer a luta pela demarcação do território.

“É um projeto para a comunidade se auto empoderar nas práticas tradicionais. Por conta da discriminação e preconceito, muitas tribos – inclusive, a nossa – deixaram de praticar ao longo dos tempos alguns ritos. Muitos jovens fugiram, mas temos os mais velhos que podem fazer o repasse dos conhecimentos das diversas práticas como artesanato e histórias”, diz.

Na programação, além do festival, será comemorado também o aniversário de 83 anos do pajé Duá Busã, uma das lideranças Huni Kuin. “Haverá várias atividades, histórias, festas, brincadeiras e rituais com os conhecedores da medicina tradicional. Vai ter o aniversário do pajé. Ele é um dos sábios e também uma liderança que tem lutado nos últimos anos pela demarcação das terras indígenas”, acrescenta.

De acordo com a antropóloga Andreia Prestes, organizadora da campanha, o povo pensou, inicialmente, em submeter o projeto em algum edital de cultura, mas o resultado demoraria e a data do festival precisaria ser trocada. O dinheiro arrecadado – uma quantia estipulada de R$ 18 mil – será usado, principalmente, para a infraestrutura de um local fixo para a realização do evento.

“O recurso é para a construção de alojamentos que vão servir como espaços de locação da cultura deles e também para aquisição de alimentos que serão servidos, pagamento de quem vai trabalhar e também para a compra de material para o artesanato”, finaliza.

Por: Caio Fulgêncio
Fonte: G1 

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