Questões antigas sobre a Amazônia Brasileira entram em pauta na ALE-AM

Questões como a liberação da BR-174 — que liga Manaus a Boa Vista (RR) — no trecho da reserva Waimiri Atroari e a manutenção da hidrovia no rio Madeira, para melhorar o escoamento de produtos do Polo Industrial de Manaus (PIM) para o restante do País, novamente são temas de uma reunião. Desta vez, elas entraram na pauta do Parlamento Amazônico às 9h de hoje, no miniplenário Cônego Azevedo, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM).

Na opinião do presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, os assuntos já foram muito debatidos. São décadas de reuniões entre diferentes categorias da sociedade interessadas na viabilização de estratégias e ferramentas para melhorar a logística geográfica em benefício do comércio e indústria locais. Porém, ele ressalta o excesso de conversas e falta de ação prática.

“Eu acho que tem muita discussão, muito evento, mas ação efetiva? Muito pouco até agora. Todo mundo entende a importância de se desenvolver outros nichos logísticos para a nossa região. Está na hora de sair do discurso e ver o que realmente pode se efetivar”, disse. “É muito importante ter uma opção de conexão com o restante do Brasil e com países da linha do Pacífico para movimentação de carga, entrada e saída do nosso Estado”, completou.

Assim como Périco, o presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), Dodó Carvalho, demonstra grande preocupação com o escoamento de produtos. Principalmente quando se trata das malhas hidroviárias, com ênfase no rio Madeira. Ele ressaltou a importância do planejamento por meio das mobilizações e reuniões, mas avalia que é preciso tirar as medidas do papel.

“É a principal rota para o transporte de cargas e escoamento de grãos do Amazonas, Rondônia, Acre e parte do Mato Grosso. É pelo Madeira que todo o combustível que abastece a região é transportado. Um volume expressivo de grãos produzidos nessa região (12 milhões de toneladas de diferentes tipos de produtos) desce nas embarcações para exportação. Não tem sentido continuar apenas com discussões e não as colocar em prática”, declarou.

Segundo ele, mesmo sendo considerado rota principal, o rio Madeira não tem sido foco dos investimentos da navegação na região. Carvalho, inclusive, citou os problemas enfrentados diariamente por quem depende do transporte fluvial. “Existem fragilidades na sinalização, dragagem e segurança da navegação. A sociedade precisa de respostas mais concretas e atuação mais forte da Assembleia Legislativa do Amazonas [ALE-AM] em relação aos problemas na Hidrovia do Madeira”, avaliou o dirigente da Sindarma.

Parlamentares que compõem o grupo

O grupo é formado por deputados estaduais do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins; sob o comando de Sinésio Campos (PT-AM), eleito durante a conferência anual da União Nacional dos Legislativos Estaduais (Unale) para o biênio 2015/2016.

Terras indígenas em discussão

A demarcação e a exploração mineral das terras indígenas também serão discutidas pelo Parlamento Amazônico na reunião desta quinta-feira. Segundo o presidente do grupo, deputado estadual Sinésio Campos, a reunião deverá definir o calendário de atividades e outros assuntos que farão parte da agenda. “Faremos a montagem do planejamento das reuniões e dos temas que estaremos abordando, como a liberação 24 horas da barreira da BR-174, na área indígena”, disse. “Discutiremos temas importantes, de interesse da Amazônia brasileira”, completou.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, vê a exploração de riquezas naturais, como o minério, com bons olhos. Para ele, é preciso buscar novas fontes de riquezas fora do Polo Industrial de Manaus (PIM). “Todo mundo entende a necessidade de explorarmos novas atividades e sair da dependência do Polo Industrial de Manaus (PIM)”, afirmou.

Entretanto, reconheceu a importância da indústria para o Estado e, voltou a citar a necessidade de investimentos na BR-174 e na Hidrovia do Madeira. “O Polo Industrial é importante, sim, mas somente o Polo não vai conseguir oferecer o retorno socioeconômico que o Amazonas precisa, ou transferir toda a riqueza e renda necessárias para o interior”, enfatizou. “Opções de conexões por terra e rio, envolve uma cadeia econômica muito mais intensa”, finalizou.

Sinésio Campos, deputado estadual pelo PT-AM e presidente do Parlamento Amazônico

“Já temos a presença de 14 dos 17 membros do conselho legislativo confirmados. Temos, como grande objetivo, discutir temas de grande interesse da Amazônia. As Assembleias Legislativas da Amazônia Brasileira já tem alguns pontos em pauta, como a questão da ligação do Linhão do Tucuruí. Precisamos ter somente o parecer conclusivo da Funai [Fundação Nacional do Índio] para fazer a ligação. As assembleias dos outros Estados também trarão uma agenda. Tem todo um estudo [sobre o linhão], desde 2011; o Governo Federal já gastou muito [com o linhão]. Também vamos fazer uma reunião com a Suframa [Superintendência da Zona Franca de Manaus] e com o próprio Governo do Estado do Amazonas para que os interesses comerciais e os interesses sociais possam acontecer. Esses Estados [do Parlamento Amazônico] têm comércio com o Amazonas e devemos pensar em uma malha rodoviária, como a BR-174, e hidroviária, pelo rio Madeira”.

Fonte: A Crítica

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