Estudante de Biologia utiliza macrofotografia para revelar a beleza dos insetos da Amazônia

No Dia Internacional da Fotografia, Phillip Klauvin fala sobre trabalho como fotógrafo de natureza e dá detalhes sobre próximos projetos e exposições

Insetos e outros artrópodes estão entre os "modelos" do fotógrafo (Phillip Klauvin/Divulgação)
Insetos e outros artrópodes estão entre os “modelos” do fotógrafo (Phillip Klauvin/Divulgação)

Observação, destreza e conhecimento científico estão entre as habilidades que o fotógrafo amazonense Phillip Klauvin, 23, põe em prática durante suas “saídas” exploratórias para fazer macrofotografias da rica fauna de insetos e outros artrópodes da Amazônia. De uma caminhada pelo Parque do Mindu ou pela Reserva Adolpho Ducke, por exemplo, em que “a cada cinco passos se encontra uma coisa diferente para fotografar”, ele volta com uma centena de novas imagens que se somarão a um acervo pessoal que já ultrapassa os 100 mil registros.

Estudante de Biologia, Klauvin fotografa desde o início da adolescência, quando ganhou do pai uma máquina convencional, daquelas que já foram populares antes da era dos smartphones. “Na mesma época eu entrei no Inpa por meio de um projeto de iniciação científica júnior. Trabalhei no laboratório que estudava os lepidópteros, que inclui as borboletas e mariposas, então eu atuava basicamente na observação, coleta e identificação de espécimes”, relembra.

Foi lá, em contato com um técnico que já era adepto da fotografia de natureza (e influenciado pela National Geographic), que Klauvin começou a se interessar por essa vertente. A experiência como pesquisador no Inpa também ajudou. “Tendo conhecimento desses grupos de animais fica mais fácil de encontrá-los e de interagir com eles sem que eles fujam”.

Em um ano, o fotógrafo substituiu a câmera amadora por outros modelos mais potentes. “Fui evoluindo conforme aumentaram as necessidades de conhecimento, trabalho e aprimoramento de técnica. Chegava um momento em que eu não conseguia fazer a foto que queria com o equipamento que eu tinha no momento, então eu partia para outro modelo”, diz.

A formação de Phillip, porém, passou ao largo de cursos ou aulas de fotografia. A base para o que ele sabe hoje veio dos livros e tutoriais que caçava por conta própria. O diálogo e interação com outros profissionais, ele destaca, teve igual importância nesse processo.

Além do clique

Segundo Klauvin, a inclinação para fazer fotos de insetos e artrópodes vem da admiração pela riqueza de formas, cores e texturas que essa parte da biodiversidade oferece para quem busca boas imagens.  Apesar disso, ele considera a macrofotografia de natureza uma área ainda incipiente no Brasil.  “Mesmo que esse tipo de imagem impressione, ele ainda não caiu no gosto popular, ainda mais quando são fotos de insetos, que costumam gerar certa repulsa entre as pessoas”, pondera.

A relação do fotógrafo com seus “modelos”, porém, não se resume ao clique e parte de uma compreensão do papel que esses animais desempenham na natureza. “Acredito que conhecendo essas espécies de perto as pessoas possam se aproximar dessa realidade e atuar como protetores da natureza. Usar a fotografia como instrumento de conservação certamente traz resultados rápidos porque qualquer um vai ter compreensão daquilo, independente de idioma”.

Hoje, o interesse de Klauvin está em captar certa singularidade da natureza que a aproxime de um retrato mais poético. “Meu trabalho não é só pelo registro. Já fiz isso quando era mais novo, quando tinha o maior prazer de encontrar uma espécie nova e fotografar. Agora busco a composição previamente pensada, apesar de as fotos serem feitas em campo e eu não ter controle nenhum da situação”, acrescenta.

Por: Rosiel Mendonça
Fonte: A Crítica

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