Mapa revela aumento da incidência de babaçuais no PI, TO, MA e PA

Novo Mapa da Região Ecológica do Babaçu é apresentado por pesquisadores e movimento social na Câmara, em Brasília, nesta segunda (10/8)

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) lança, nesta segunda (10/8), às 14h, na Câmara dos Deputados, em Brasília, o Mapa da Região Ecológica dos Babaçuais dos estados do Piauí, Tocantins, Maranhão e Pará.

O trabalho revela a persistência e ampliação da incidência dos babaçuais, apesar das práticas que visam a sua destruição, como envenenamento, derrubada e queimada. Apresenta uma região florestada, de grande diversidade biológica e importância no combate às mudanças climáticas e ao desmatamento. Nos quatro estados, existem hoje mais de 25 milhões de hectares de babaçuais, com diferentes densidades.

O mapa destaca o papel fundamental do babaçu no modo de vida de mais de 300 mil mulheres que, organizadas no MIQCB, buscam conservar as florestas de babaçu e garantir uma importante contribuição de renda para as famílias das comunidades rurais.

As informações reunidas na publicação são um contraponto às projeções e iniciativas oficiais que usualmente desconsideram a importância socioambiental dos babaçuais, classificando-os como áreas “desmatadas” ou “degradadas”. O lançamento do mapa acontece pouco depois da criação pelo governo federal de uma agência de desenvolvimento que terá o objetivo de impulsionar a produção de grãos na região dos quatro estados (o chamado “Mapitoba”).

“Como é que o governo faz um mapa onde não aparecem as quebradeiras de coco, os agricultores, isso é muito grave”, comentou dona Francisca Silva do Nascimento, coordenadora do MIQCB, quando o governo lançou a agência.

Uma das principais ameaças ao babaçu é justamente a monocultura, que torna a paisagem homogênea a um alto preço social para as comunidades. Se os resultados esperados da nova agência tornarem-se realidade, os impactos negativos sobre os babaçuais e as quebradeiras serão ampliados.

“A nossa luta agora é que onde havia rio hoje está seco por causa do eucalipto e do envenamento”, explica dona Eunice Conceição da Costa, quebradeira da região de Imperatriz (MA).

O mapa dos babaçuais pretende informar sobre a luta e o modo de vida das quebradeiras de coco de babaçu e impulsionar a implantação da “Lei do Babaçu Livre”, já criada em 12 municípios do Maranhão, quatro no Tocantins e um no Pará. A legislação garante a manutenção dos babaçuais em pé e o acesso das quebradeiras de coco, para que possam realizar a coleta nas áreas e propriedades onde estão os babaçuais.

Pesquisa

O mapa é um dos resultados da pesquisa do Projeto Cartografia Social dos Babaçuais: Mapeamento social da região ecológica do babaçu. O material é fruto de um esforço de mais de um ano de pesquisa sobre a incidência e extensão do babaçu, atuação e representação dos movimentos sociais sobre seu uso. O material combina levantamentos anteriores e a construção de uma base cartográfica histórica desde o início do século, além de bases cartográficas atuais produzidas pelo Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia.

O levantamento envolveu trabalho de campo, oficinas, reuniões, georreferenciamento em áreas específicas e encontros, tomando como base principal dados de campo fornecidos pelas quebradeiras e suas organizações, como sindicatos e associações, além de 18 pesquisadores. No total, cerca de 900 pessoas participaram das atividades do projeto.

O projeto é financiado pela Fundação Ford e a pesquisa é coordenada por pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Também fazem parte pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFTO), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e UFSSPA.

Serviço

O quê: Lançamento do Mapa da Região Ecológica dos Babaçuais

Onde: Auditório Freitas Nobre, Anexo 4, Câmara dos Deputados, Brasília

Quando: Segunda-feira, 10/8, às 14h

Fonte: ISA

Deixe um comentário