Rondônia institui metas para Plano ABC

Estado propõe recuperar 500 mil hectares de pastagens degradadas, atividade prioritária na região

Para ampliar o uso de tecnologias agropecuárias sustentáveis, o estado de Rondônia instituiu, no dia 22 de julho, o seu Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC/RO). “Estamos em uma fase inicial para o ABC ainda, mas o estado já fez muito em relação às tecnologias sustentáveis”, afirmou Roberto Santiago, técnico da Secretaria da Agricultura de Rondônia (Seagri), atual responsável pela coordenação do plano. Dos nove estados da Amazônia Legal, apenas Roraima e Amapá ainda não planejaram seus planos.

As principais metas do Plano ABC/RO até 2020, segundo Santiago, são recuperar 500 mil hectares de pastagens degradadas, utilizar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) em 20 mil hectares e sistema de plantio direto em 50 mil hectares, além de ampliar ou substituir sistemas de produção convencionais por sistemas agroflorestais (SAF) em 3 mil hectares.

O processo de elaboração das metas foi iniciado no final de abril de 2015, em uma oficina com os membros do Grupo Gestor Estadual do ABC no estado. “Realizamos mais duas reuniões para revisão das metas e, a partir disso, o segundo passo foi buscar a institucionalização do ABC”, disse Edson Issao, da Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO), órgão que integra o Grupo Gestor.

Outras metas já definidas são a adoção da fixação biológica de nitrogênio (FBN) em 100 mil hectares, o aumento da área de floresta plantada em 10 mil hectares e o tratamento de 50 mil m3 de dejetos de animais.

Segundo Issao, a implementação do Plano ABC servirá para sistematizar o que já está sendo feito. O técnico destacou que as tecnologias de agricultura de baixo carbono em Rondônia não são “tradadas apenas como Plano ABC”, uma vez que o estado já possui projetos paralelos que incentivam e implementam as tecnologias, como recuperação de pastagens e florestas plantadas.

A recuperação de pastagens é a atividade prioritária para Rondônia, uma vez que a pecuária de leite e de corte é forte na região. Apesar disso, explicou Issao, o crescimento da soja também potencializa a necessidade de outras tecnologias, como o plantio direto.

De acordo com o último levantamento feito pelo Observatório ABC sobre o financiamento do Programa ABC, o total de recursos alocados pelo estado até abril de 2015 foi de R$ 115 milhões, à frente de estados como Amazonas, Amapá, Acre e Roraima, mas atrás de Tocantins, Pará, Mato Grosso e Maranhão.

Para que os projetos do estado possam ser desenvolvidos, Issao acredita que o trabalho deve ser integral entre todos os órgãos. Ao todo, 17 instituições públicas e privadas integram o Grupo Gestor, coordenado pela Seagri. O Grupo realiza reuniões pelo menos duas vezes por semestre.

Próximo passo

Segundo o coordenador do plano, Roberto Santiago, a Seagri está propondo uma reunião com todas as instituições que devem assumir as ações do ABC. “A ideia é elaborar um documento contendo informações de tudo o que já foi feito no estado, em números, para sabermos o que deve ser executado daqui para frente”, informou.

Para o cumprimento das metas, o Plano ABC/RO prevê a criação de campanhas de divulgação e propõe facilitar o acesso ao crédito rural para produtores, assim como investir em assistência técnica e regularização fundiária e ambiental no estado.

Por: Talise Rocha
Fonte: Observatório ABC

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