Amazônia: Trabalho Escravo + Dinâmicas Correlatas

“São geralmente os peões gente nova.  Porém com frequência, pais de família com vários filhos.  Iludidos quase sempre a respeito do pagamento, do lugar, das condições de trabalho, do atendimento médico.  Tendo que pagar até a viagem – contra todo o estipulado num a posteriori decepcionante e forçado.  Em sistema de empreitada que significa submeter-se, além do dono e seu gerente, às fraudes e abusos dos empreiteiros.  Já na mata das fazendas, sem possibilidade de saída.  Fechados no ‘inferno verde’.  Controlados por pistoleiros e ‘gatos’.” “Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social”.

Dom Pedro Casaldáliga, 1971

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Até a década de 1960, menos de 1% das árvores da Amazônia havia tombado. De lá para cá, grandes projetos de extração de minérios, de geração de energia hidrelétrica e, principalmente, de expansão agropecuária impuseram um modelo de desenvolvimento predatório que já devastou um quinto do território original da floresta*. Tudo em nome de um suposto “progresso” que jamais beneficiou a população local.

A derrubada da mata nativa da Amazônia para o comércio de madeira e a posterior formação de grandes fazendas sempre estiveram diretamente ligadas à superexploração do trabalho de migrantes pobres, vindos do Norte e do Nordeste do país e transformados em mercadorias descartáveis. As primeiras denúncias sobre a existência da escravidão contemporânea vieram à tona ainda no começo dos anos 1970, pela voz de Dom Pedro Casaldáliga – bispo católico de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso.

Não são apenas proprietários de terra sem recursos que cometem esse crime. Grandes empresários capitalizados também se utilizam da escravidão para potencializar seus lucros. Seja na abertura de fazendas de gado, na limpeza das lavouras de soja, no corte da cana-de-açúcar ou na queima de madeira para a produção de carvão vegetal, a realidade é que, desde 1995, quase 50 mil trabalhadores na Amazônia foram submetidos a condições que atentam contra os princípios básicos da dignidade humana.

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Fonte: Repórter Brasil

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