El Niño pode normalizar vazante do Rio Negro em Manaus, diz CPRM

Em 2013 e 2014, nível do rio ficou acima da média no período de estiagem. Apesar do forte calor, vazante extrema não é descartada pelo órgão.

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A diminuição de chuvas causada pelo El Niño deverá colaborar para que a vazante do Rio Negro, em Manaus, registre volume considerado normal – entre 16m e 17m – em 2015 após dois anos com registros superiores a média. As informações foram divulgadas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Especialistas do órgão não descartam a possibilidade de uma seca extrema.

A cheia – subida do rio – ocorre geralmente entre maio e julho. Na capital, a vazante – período de descida das águas – do Rio Negro tem início no segundo semestre e pode terminar até no mês de fevereiro do ano seguinte, conforme registros do CRPM.

A influência do El Niño causa redução de chuvas e impacta no movimento de subida e descida dos rios da Bacia Amazônica, de acordo com o órgão.

“Quando a gente tem evento de El Niño isso reduz chuva na Amazônia. Quando ocorre o aquecimento das águas do [Oceano] Pacífico, a gente recebe menos chuva na nossa região. A seca [vazante] fica mais evidente. Temperatura maior, com menos chuva, você tem mais evaporação, menos recarga das bacias”, explica o engenheiro hidrólogo e gerente de hidrologia e gestão territorial do CPRM, André Santos.

Mesmo com o aumento do calor e a redução das chuvas no segundo semestre deste ano, período da vazante, o Rio Negro pode não ter uma seca extrema.

“Pelo El Niño que se caracterizou este ano, a gente espera uma vazante forte. Porém, isso varia de como a bacia vai responder. Como ela está muito cheia, atingiu cotas muito elevadas, é preciso que haja uma relação entre El Niño influenciando a vazante com o que tinha de água nesse sistema. (…) A gente precisa ainda ver se esse El Niño que ocorreu vai trazer uma vazante extrema. O que a gente pode afirmar é que teremos uma vazante próxima do normal”, acrescenta Santos.

De acordo com o meteorologista Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Gustavo Ribeiro, o El Ninõ tem ocorrido com maior intensidade nos últimos anos. “Diferentemente que nos últimos anos, ele está atuando de maneira mais forte”, disse. Segundo Ribeiro, as chuvas estão mais escassas e, provavelmente, a vazante do Rio Negro fique dentro da média. A cota considera normal é entre 16m e 17m.

“Uma situação preocupante seria, se ano passado a vazante tivesse sido grande, já que agora as chuvas estão abaixo da média”, destacou.

Números

Um levantamento do CPRM com base nos registros feitos entre 1903 e 2014 apontou que a média das cotas mínimas do Rio Negro em Manaus é 17,67 metros. Já a média das máximas é de 27,86 metros.

A maior vazante considerada extrema ocorreu em 2010 quando o nível do rio chegou a 13,63 metros no dia 24 de outubro. Já a cheia recorde foi de 2012 com cota máxima de 29,97 metros.

Dados do CPRM apontam que em 2013 e 2014, as cotas registradas na capital amazonense ficaram acima dos 19 m. Até o fim do período de estiagem, o esperado é que o rio tenha volume abaixo dos 17 m. A vazante é considerada extrema quando o nível da água do Rio Negro fica abaixo de 15 m. El Niño

El Niño

O Escritório Australiano de Meteorologia afirmou que o fenômeno climático El Niño se fortaleceu nas últimas duas semanas. A entidade diz ver agora apenas uma “pequena chance” de que o evento termine até o fim deste ano. As temperaturas do Oceano Pacífico nos trópicos estão bem acima dos patamares que definem o El Niño e os ventos enfraqueceram consistentemente, disse o escritório. Cientistas do governo americano já afirmaram que o El Niño, que começou este ano, pode ser dos mais fortes dos últimos 65 anos.

Por: Leandro Tapajós e Adneison Severiano
Fonte: G1

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