Trabalho dos parabotânicos garante pesquisas científicas na Amazônia

Profissionais são responsáveis pela coleta de várias espécies vegetais. Conheça a história do homem que entrou para a ciência ao fazer descoberta.

Profissão ainda desconhecida para muita gente, o parabotânico trabalha com a identificação de árvores e desempenha um papel fundamental para as pesquisas sobre as espécies vegetais na Amazônia.

Jair FreitasJair Freitas é um desses profissionais, que não precisa de mapa ou GPS para se encontrar na floresta, local onde passa a maior parte do tempo há quase 30 anos.

“Uma média de 15 a 20 dias por mês”, contabiliza.

As descobertas podem estar no talho feito em cada tronco de árvore, no cheiro, no sabor, que ajudam a reconhecer cada um dos vegetais da rica flora da região.

“Essa aqui o nome popular é conhecido como saboeiro, e o gênero dele é uma abarema”, explica Jair, que se transformou e uma “enciclopédia viva” da Amazônia.

Como parte da missão está a escalada das árvores, e é na copa delas que estão as peças do grande quebra cabeças da natureza: ramos, flores e frutos são recolhidos para auxiliar no trabalho de cientistas.

Aos 70 anos, Manoel Cordeiro também entende de árvores como ninguém: é o parabotânico mais antigo da Embrapa, em Belém.

“Eu subia todo dia em 40 árvores, todo santo dia. Eu tinha 33 anos… Eu ainda subo até hoje, tiro açaí ainda”, garante.

Seu ManoelSeu Manoel nasceu na ilha do Marajó, onde vivia do extrativismo, e nem sonhava que viria a se tornar uma referência na arte de traduzir a biodiversidade amazônica.

“Eu riscava seringueira. Eu já estava acostumado com a floresta, conhecia o nome vulgar, só não conhecia família, gênero, espécie, isso eu aprendi depois que eu vim para o herbário”, recorda, apontando para o espaço que guarda todo o material coletado na mata, ao todo, com 193 mil amostras de plantas.

“Eu já fiz quase 4 mil e 800 coletas…em 42 anos!”, destaca o parabotânico de memória privilegiada.

Mas para ele, uma das amostras é especial. Manoel conta que a encontrou em Rondônia, em uma das primeiras expedições em que participou, em 1975.

“Nessa época, a gente coletava tudo que se encontrava na mata, com flor e fruto. E eu peguei essa planta por acaso, achei diferente e coletei”, explica.

O que o profissional não sabia era que havia acabado de descobrir uma espécie nova: a Hirtella cordeiroi, nomeada em homenagem ao seu descobridor.

O biólogo Sebastião Júnior lembra que custear uma expedição na mata sai caro, embora saiba que contar com um profissional desse tipo na equipe representa uma economia de tempo e dinheiro. Diferente de um botânico, que sabe tudo sobre algumas espécies, o parabotânico conhece muito sobre a floresta.

“Tem vários ambientes na Amazônia. Mata ciliar, mata de terra firme, e dependendo do tipo de trabalho que tá sendo realizado, se a equipe não leva um parabotânico, às vezes nem é realizado”, destaca o biólogo da Embrapa.

Embora aposentado, Seu Manoel diz que nem pensa na possibilidade de largar as atividades tão cedo.

“Eu pretendo continuar nisso até o último dia da minha vida até porque é algo que eu amo. Gosto demais porque nas plantas a gente vê a criação, a mão de Deus, a beleza de uma flor, de árvore, dum galho, cada dia você vê uma coisa diferente”, afirma, com a sabedoria que adquiriu em meio à natureza.

Fonte: G1

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3 comentários em “Trabalho dos parabotânicos garante pesquisas científicas na Amazônia

  • 23 de setembro de 2015 em 10:25
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    Parabéns para todos os parabotânicos que colaboram com seus conhecimentos na identificação de varias especies que temos em nossas florestas, parabéns por vocês terem a disposição de passar para os estagiários um pouco dos seus conhecimentos de identificação das especies de árvores .Tive o privilégio de trabalhar com alguns parabotânicos da Embrapa, sou grata pelos conhecimentos que adquirir.

  • 22 de setembro de 2015 em 11:02
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    Interessante, mas a meu ver se trata de um botânico autodidata!

    • 11 de outubro de 2015 em 12:04
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      O amor ao trabalho, a dedicação, a experiência, a vivência, a percistência, a pratica no campo e no herbário é que tornam homens como o Sr. Prof.Manoel num cientista. Diplomas apenas não não facultam conhecimentos. Parabéns ao pesquisador Manoel Cordeiro!!!!

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