Em razão da seca, Marinha restringe navegação em rio no Amazonas

Marinha emitiu portaria decretando impraticabilidade parcial em Coari. Condutores de embarcação terão que verificar condições em manobras.

Embarcações não conseguem navegar até a margem do rio em Benjamin Constant (Foto: Arquivo Pessoal/Greicy Fernandes)
Embarcações não conseguem navegar até a margem do rio em Benjamin Constant (Foto: Arquivo Pessoal/Greicy Fernandes)

A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC) estabeleceu restrições à navegação em um trecho do Rio Solimões, no Amazonas. A medida, que é parcial, ocorre em razão de risco de acidentes com embarcações no período da seca.

Baseado na Lei 9.537/1997, que trata da segurança do tráfego aquaviário, o capitão dos Portos, Alfred Dombrow Júnior, decretou impraticabilidade parcial no Rio Solimões, no trecho conhecido como Ilha do Meio, que fica situado a pouco mais 85 km (46 milhas náuticas) no sentido do Terminal Fluvial do Solimões (Tesol), em Coari.

O trecho alvo de restrição é usado como rota por embarcações que escoam parte da produção de petróleo e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) – gás de cozinha – da província petrolífera de Urucu da Petrobras.

A Marinha explicou que as Normas e Procedimentos para as Capitanias dos Portos e Capitanias Fluviais (NPCF) estabelecem as limitações operacionais nos portos e terminais, tais como a velocidade de evolução nos trechos navegáveis e canais de acesso.

A medida tem como foco redobrar a atenção com o calado – distância vertical entre a superfície da água e a parte mais baixa da embarcação. As condições do calado são importantes para determinar a navegabilidade de cada embarcação sobre zonas pouco profundas, evitando acidentes náuticos.

“Os condutores devem observar a navegação de acordo com o calado de sua embarcação, até que se estabeleçam as condições mínimas de segurança”, esclareceu a Marinha.

A portaria é enviada desde dia 13 de outubro para empresas de praticagem da região e órgãos da Marinha. Além dos avisos enviados eletronicamente, a Marinha divulga a medida por meio de canal de rádio para as embarcações que trafegam na região alvo da restrição parcial.

“Durante as Inspeções Navais os condutores das embarcações são orientados quanto ao cuidado com a navegação nesse trecho, além de divulgação na mídia, Rádio Marinha e ofícios aos órgãos de navegação, dentre eles o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) e empresas de praticagem da região”, afirmou a Marinha, em nota.

Isolamento

A vazante – processo natural de redução dos níveis dos rios – tem se intensificado em Manaus e no interior do estado. Os municípios Fonte Boa e Benjamin Constant, no Amazonas, estão praticamente isolados em razão da vazante do Rio Solimões. As embarcações de grande e médio porte, que transportam cargas e passageiros, não conseguem se aproximar dos portos, uma vez que o nível das águas está muito baixo.

Em Iranduba, a 27 km de Manaus, 125 famílias de uma comunidade sofrem com o abastecimento de água. Produtores de melancias que comercializam o produto na cidade em Manaus enfrentaram problemas para escoar a produção em razão do bairro volume de água.

Por: Adneison Severiano
Fonte: G1

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