Incêndios continuam e população reclama de transtornos à saúde no AM

Manauenses têm enfrentado problemas respiratórios. Incêndios causam nuvem de fumaça há quase 20 dias.

Fumaça de queimada cobre a cidade de Manaus, no Amazonas.  Ela e outras 11 cidades do estado estão em estado de emergência por causa das queimadas (Foto: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Fumaça de queimada cobre a cidade de Manaus, no Amazonas. Ela e outras 11 cidades do estado estão em estado de emergência por causa das queimadas (Foto: Edmar Barros/Futura Press/Estadão Conteúdo)

Há 19 dias, os moradores de Manaus convivem com um problema até agora sem solução: uma nuvem de fumaça encobre a cidade todas as noites e dispersa durante o dia. A população sofre com os efeitos e já não sabe a quem recorrer. O governo diz que está adotando medidas, mas as queimadas persistem. A situação é grave (veja vídeo abaixo).

A fumaça é densa e cinzenta. Provoca problemas respiratórios e atrapalha a visibilidade em ruas da cidade. Com mais intensidade, a ‘nuvem’ tem invadido casas e afetado a rotina dos manauenses.

Nesta segunda-feira (19), a fumaça ainda persiste durante à tarde, o que ainda não havia ocorrido. O transtorno é difícil de combater. Cada um se vira como pode.

É o que afirma a microempresária Carmen Araújo, 40 anos. Ao G1, ela conta que coloca toalhas molhadas em aberturas de portas e janelas para evitar que a fumaça entre em sua casa. Também espalha baldes cheios de água nos cômodos de casa.

“Essa noite foi a pior. Passei mal de madrugada. Acordei com um bem-te-vi ‘gritando’ em minha janela, inquieto. Se estamos tendo dificuldade para respirar, com os animais não é diferente”, disse.

Sufoco também passa a dona de casa Michelle Guerra, 33 anos. “Desde que essa nuvem de fumaça chegou a Manaus, que não dormimos direito. Se ligamos o ar-condicionado, a fumaça invade o quarto. O jeito é tentar dormir usando apenas o ventilador, que, no verão amazônico, pouco ameniza a temperatura”, disse.

Mas, ainda que a população tente minimizar os problemas causados pelos incêndios, há vítimas. Principalmente as crianças.

O pequeno Paulo Emanuel Nunes, de 5 anos, está há quatro dias com tosse e secreção nasal. Segundo a mãe do menino, Daniele Piazzi Nunes, de 36 anos, a fumaça desta segunda-feira fez com que ele faltasse aula.

“Não temos condição de sair de casa com ele nesse estado. Há quatro dias, a situação é essa: sintomas de gripe e dificuldade para respirar. Estamos passando por um mal estar que não parece acabar”, reclamou.

Daniele disse ainda que, como mãe, acorda todos os dias revoltada ao ver que a fumaça ainda encobre a cidade. Segundo ela, “a fumaça só piora”. “No domingo, ficamos em casa com tudo fechado porque não tinha como abrir nada. A fumaça é extremamente forte. É muito complicado”, disse.

Para quem trabalha em ambientes abertos, a situação também é difícil. A operadora de caixa de um posto de gasolina na Zona Centro-Sul de Manaus, Eucimara da Silva Melo, de 33 anos, contou que a fumaça tem causado danos à rotina de 12 horas diárias de trabalho.

“Trabalho ao ar livre, então inalo esse ar poluído, pelo menos, metade do dia. O primeiro ar que respiramos no dia é o mais poluído”, disse, acrescentando que sente desconforto respiratório.

Situação de emergência

No dia 13 de outubro, o governador do Amazonas, José Melo (Pros), decretou situação de emergência em 12 cidades – incluindo Manaus. Com o ato, o Governo e Prefeitura de Manaus anunciaram um pacote de medidas para evitar novos incêndios – como a formação de brigadistas.

Incêndios

Desde o início do ano, o Corpo de Bombeiros do Amazonas já atendeu a 818 ocorrências de incêndio em áreas de mata e de floresta. Manaus lidera os registros com 502 ocorrências, seguida de Manacapuru, com 92 registros e Itacoatiara, com 72 casos.

O número de queimadas atingiu o recorde já registrado em 17 anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com mais de 11 mil focos nos nove primeiros meses deste ano. Só em setembro de 2015 foram registradas 5.882 queimadas. De 1º a 19 de outubro o número de focos caiu para 971, segundo dados do Inpe. Ainda assim, as ocorrências de incêndios são constantes.

Escassez de chuva

A ausência de chuvas e altas temperaturas na região têm favorecido os incêndios em áreas de vegetação e floresta, segundo o Corpo de Bombeiros, principalmente as queimadas provocadas por agricultores e pecuaristas para preparar a terra.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão é de que as chuvas fiquem abaixo do normal na capital e em parte do interior do Amazonas. As altas temperaturas também devem seguir até o fim do ano.

Aeroporto

O Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, localizado na Zona Oeste de Manaus, opera com o auxílio de instrumentos para pousos e decolagens nesta segunda-feira, por conta da nuvem de fumaça.

Fonte: G1

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