Nova invasão de madeireiros em Terra Indígena gera vítima no MA

Ka'apor people set up trap cameras to monitor the indigenous territory in areas used by illegal loggers. In late August 2015, Ka'apor leaders from the Alto Turiacu Indigenous Land, in the North of Maranhão state, started to integrate the use of technology in their autonomous activities of monitoring and protecting their traditional territory, in partnership with Greenpeace. Among the suggested tools adopted by the Ka'apor people are: more accurate maps; trap cameras aimed to document the invasion of logging trucks; and satellite trackers to monitor the routes of logging trucks in and out of the Alto Turiacu Indigenous land. Indígenas Ka'apor instalam cameras ocultas em areas exploradas por madeireiros ilegais. No final de agosto de 2015, lideranças Ka'apor da Terra Indígena Alto Turiaçu, no norte do Maranhão, começaram a integrar o uso de tecnologia às atividades autônomas de monitoramento e proteção do seu território tradicional, em parceria com o Greenpeace. Entre as ferramentas sugeridas e adotadas na ação pelas lideranças Ka’apor estão mapas mais precisos, armadilhas fotográficas ativadas por sensores de movimento e temperatura que podem flagrar a invasão dos caminhões madeireiros, e rastreadores via satélite, que permitem monitorar suas rotas dentro e fora da Terra Indígena. Foto: Lunae Parracho / Greenpeace
Ka’apor instalam câmeras na floresta para identificar a ação de madeireiros ilegais dentro da TI Alto Turiaçu (© Greenpeace/Lunaé Parracho)

Omissão do Estado para garantir a proteção da Terra Indígena Alto Turiaçu perpetua conflito na região

Um conflito entre os índios Ka’apor e madeireiros gerou uma vítima fatal nessa última quinta-feira, dia 25 de outubro, segundo relatos vindos da região.

Alguns homens invadiram ilegalmente a terra indígena Alto Turiaçu, dos Ka’apor, quando encontraram um grupo de indígenas que fazem a vigilância autônoma e independente de seu território. Em meio ao conflito, um madeireiro conhecido como Raimundinho foi morto.

Há anos os Ka’apor vêm denunciando o roubo de madeira e a invasão de seu território, mas têm sido sistematicamente ignorados pelas autoridades.Recentemente, os conflitos se agravaram e os Ka’apor continuaram expondo a situação e as ameaças as quais estavam submetidos, com relatos de pistoleiros rondando a região e ameaçando as lideranças . No entanto, nada foi feito.

É responsabilidade do Estado garantir a integridade e a proteção das terras indígenas. Porém, a omissão e a incapacidade do governo federal em coibir as invasões feitas por não-índios e madeireiros acabam agravando os conflitos e perpetuando a violência na região.

Frente à invisibilidade que lhes é imposta pelo Estado, que não age para impedir as invasões e ameaças, desde 2013 os Ka’apor iniciaram o monitoramento autônomo e independente da TI Alto Turiaçu. No início de setembro, o Greenpeace esteve com os Ka’apor para apoiar esse monitoramento agregando o uso de tecnologia às atividades de proteção do seu território tradicional, ajudando a gerar provas e criando a oportunidade de que as autoridades pudessem dar um basta na violência instaurada pelos madeireiros na região. A superação definitiva da violência passa necessariamente pela demarcação e implementação efetiva das terras indígenas. O governo também precisa ordenar de uma vez por todas o sistema de controle de madeira, começando pela revisão de todos os Planos de Manejo Florestal aprovados na Amazônia desde 2006.

Fonte: Greenpeace

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