Novo vazamento de óleo é confirmado na área de naufrágio em Barcarena

Barreira de contenção se rompeu e óleo voltou a atingir praias da região. MPs e Defensoria cobraram solução para tragédia ambiental nesta quinta, 15.

Óleo se espalhou nas águas do rio Pará e carcaças de bois mortos alcançaram praias da região após naufrágio de navio com carga viva no porto de Vila do Conde, em Barcarena, no nordeste do Pará. (Foto: Reprodução/TV Liberal)
Óleo se espalhou nas águas do rio Pará e carcaças de bois mortos alcançaram praias da região após naufrágio de navio com carga viva no porto de Vila do Conde, em Barcarena, no nordeste do Pará. (Foto: Reprodução/TV Liberal)

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros confirmaram um novo vazamento de óleo ocorrido na tarde desta quinta-feira (15) no local onde um navio com cerca de cinco mil bois vivos naufragou no dia 6 de outubro em Barcarena, no nordeste do Pará. Segundo os Bombeiros, houve um rompimento na barreira de contenção montada no Rio Pará na área do Porto de Vila do Conde e parte do óleo voltou a atingir as praias da região.

Esta foi a segunda barreira de contenção que se rompeu na área. Após o rompimento da primeira barreira, montada logo após o acidente, carcaças de bois mortos e óleo da embarcação se espalharam pelas praias da região. Três praias de Vila do Conde, o píer onde ocorreu o naufrágio e a praia de Beja, em Abaetetuba, foram interditadas e proibidas para qualquer tipo de atividade.

De acordo com a Companhia Docas do Pará  (CDP), a embarcação transportava cerca de 700 toneladas de combustível e há risco de o óleo atingir outras praias da região. Moradores afirmaram que não ha condições de trabalho com as praias interditadas e que as nódoas de óleo mancham as águas e a areia por mais de três quilômetros.

Assistência aos moradores
A entrega de água e alimentos já foi iniciada, mas a população reclama das quantidades. Os moradores dizem que cada família está recebendo um garrafão de 20 litros de água apenas. “Vamos dar continuidade ao trabalho que foi desencadeado. A partir disso, vamos ter a exata medida do que é preciso para dar o atendimento à população que precisa ser assistida”, concluiu Lima.

A rotina dos moradores ainda não voltou ao normal. Os comércios ainda estão fechados e o mau cheiro incomoda. Com a subida da maré, aparecem manchas de óleo nas areias da praia de Vila do Conde.

Pedido à Justiça
O Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e a Defensoria Pública do Estado do Pará ingressaram nesta quinta-feira (15) com uma ação liminar que exige a a paralisação total das atividades no terminal portuário de Vila do Conde, em Barcarena, no nordeste paraense, até que seja apresentada uma solução para o problema das carcaças de boi e óleo que se espalhou nas águas do rio Pará.

“Como percebemos a demora de soluções para resolver o problema, entramos com a ação porque o caso já está afetando municípios vizinhos, como Abaetetuba, logo, essa medida cautelar era necessária”, explica Viviane Lobato, promotora de Barcarena.

Na ação, os promotores de Justiça, defensores públicos e procuradores da República pedem ainda que sejam assegurados o fornecimento de máscaras contra odores, distribuição de água potável e ajuda financeira para os moradores impactados pelo desastre ambiental, bem como que seja definido um cronograma para a retirada de todo o óleo e dos carcaças que ainda estão no interior do navio.

“As pessoas serão indenizadas na ação principal, que será ajuizada em um prazo de 30 dias. Nesta ação será cobrada não só a indenização para as pessoas, mas a reparação também visando o meio ambiente”, detalha o procurador da República Bruno Valente. Segundo o texto da ação judicial, cerca de 4.800 bois ainda se encontram no interior da embarcação, presos.

Medidas
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) já autuou três empresas apontadas como responsáveis pela situação: Companhia de Docas do Pará (CDP), Minerva Foods e Global Agência Marítima, exigindo medidas urgentes e eficazes para a retirada dos restos mortais dos animais. A multa diária é de R$ 1 milhão em caso de não cumprimento.

Em reunião na Assembleia Legislativa do Estado (Alepa), ficou definido que uma parte dos animais mortos vai ser enterrada em uma área a 20 km de Barcarena e a outra em um terreno da Companhia das Docas do Pará (CDP). O Ibama também pediu a colocação de uma manta especial que deve proteger o lençol freático desses locais onde os bois vão ser enterrados.

Em entrevista na última quarta-feira (14), o secretário de meio ambiente do estado, Luiz Fernandes, reafirmou que uma a área vai ser impermeabilizada para que os bois possam ser enterrados. “Isso é uma situação emergencial e, provavelmente, não vai haver nenhum dano, mas mesmo assim nós vamos acompanhar isso diariamente. Se caso tiver algum problema, pode ser recolhido de lá depois”, disse o secretário.

Segundo o Ibama, em nota técnica, a carcaça bovina é classificada como classe A, ou seja, é um contaminador potencial tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana. Para as pessoas, os riscos incluem irritação à pele, carcinogenecidade e perigo por aspiração.

Luiz Fernandes também ressaltou que o Governo do Estado está cobrando da Companhia Docas do Pará (CDP) providências sobre o caso. “Desde o início foram instalados procedimentos administrativos e criminais. O Estado está adotando todas as medidas”, enfatiza.

Fonte: G1

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*