Purificador de água à base de carvão de tucumã é apresentado na Semana Nacional de C&T do Inpa

No estande “Oficina Águas da Amazônia” é possível ver os diferentes tipos de água e os resultados dessas águas após serem processados no purificador à base de carvão de tucumã

A nova tecnologia alternativa do purificador de água à base de carvão de tucumã é capaz de eliminar boa parte de resíduos e microrganismos existentes nas águas. O equipamento está sendo apresentado na 12ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). As exposições da SNCT encerram nesta sexta-feira (23), mas as atividades do Inpa continuam até o dia 15 de dezembro.

As formas de tratamento da água como a cloração, fervura, filtração e o sódio são eficazes na eliminação de microrganismos. “A filtração retém boa parte dos microrganismos e aumenta o PH da água”, assegura a ex-bolsista de iniciação científica do Inpa, Carluce Serrão.

Os caroços de tucumã passam pelo processo de carbonização. Depois, são modulados pedaços grandes e pequenos, capazes de filtrar os microrganismos. Os pedaços grandes de carvão servem para reter partículas maiores de resíduos, já os menores ainda estão sendo estudados para verificar a eficácia em filtrar coliformes ou partículas menores de resíduos. O carvão não precisa ser ativado para a tecnologia funcionar.

De acordo com outra integrante do projeto, Viviane Guimarães, “objetivo é que o purificador possa ser usado em comunidades ribeirinhas, diminuindo o número de doenças causadas pela poluição de rios, lagos e igarapés”, contou.

O purificador foi desenvolvido pelo Laboratório de Celulose, Papel e Carvão Vegetal do Inpa, liderado pela pesquisadora Marcela Amazonas, enquanto as análises da água são realizadas pelo Laboratório de Química Ambiental, que tem como chefe a pesquisadora Maria do Socorro Rocha.

Águas da Amazônia

Na oficina “Águas da Amazônia” é possível aprender sobre os tipos de água encontradas na região, como as águas claras, pretas e mistas. No estande é possível ver ainda os resultados dessas águas após serem processados no purificador à base de carvão de tucumã.

Entre as amostras, está a água clara, retirada do igarapé Barro Branco, localizado na Reserva Adolpho Ducke; águas pretas do rio Negro; água Eutrofizada, recolhida do Lago Amazônico, no Bosque da Ciência; água mista retirada do rio Abacaxis, no município de Borba (a 151 quilômetros de Manaus) e a água subterrânea (de poços), muito semelhante a água clara.

A pesquisadora do Inpa, Domitila Pascoaloto, explica que a água eutrofizada é rica em nutrientes. É o caso das águas do Lago Amazônico, que recebe as águas dos tanques do peixe-boi (Trichechus inunguis). “A cor esverdeada significa que a água é rica em nitrogênio devido à urina do peixe-boi e a decomposição das macrófitas aquáticas (algas)”, informou.

Ainda é possível observar amostras de águas antes e depois de filtrada no purificador à base de carvão de tucumã. “A água é filtrada e o material que está em suspensão é retido pelo filtro. No caso do Lago Amazônico o que está em suspensão são as algas, e quando passa pelo processo de filtração, automaticamente, a água fica cristalina”, disse Pascoaloto.

Com o Rio Negro a situação é contrária. Depois que a água é filtrada e o material em suspensão do rio é retirado, a água continua escura. Isso acontece porque, de acordo com a pesquisadora, o que dá a cor da água do Rio Negro são as substâncias húmicas que estão dissolvidas, e não as substâncias que estão em suspensão e formam a cor, como é caso do Lago Amazônico. “O Rio Negro é naturalmente dessa cor”, informou.

Fonte: Inpa

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