Estudo aponta que indígenas de 135 etnias têm prevalência de hipertensão arterial no país

A pesquisa foi realizada com o apoio da Fapeam, e foi apresentada durante 67º Congresso Brasileiro de Enfermagem (CBEn), em São Paulo

Os resultados fazem parte do projeto de pesquisa ‘Prevalência da hipertensão em populações indígenas’ desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pelo doutorando Zilmar Augusto de Souza Filho (Odair Leal)
Os resultados fazem parte do projeto de pesquisa ‘Prevalência da hipertensão em populações indígenas’ desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pelo doutorando Zilmar Augusto de Souza Filho (Odair Leal)

Indígenas de 135 etnias em todo o País e de 24 etnias no Amazonas demonstraram ter prevalência de hipertensão arterial, conhecida popularmente como ‘pressão alta’. Os resultados fazem parte do projeto de pesquisa ‘Prevalência da hipertensão em populações indígenas’ desenvolvido na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) pelo doutorando Zilmar Augusto de Souza Filho.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador, com apoio do governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no 67º Congresso Brasileiro de Enfermagem (CBEn), realizado em outubro, em São Paulo.

De acordo com o pesquisador, foi possível comprovar, por meio dos estudos bibliográficos realizados entre agosto e outubro de 2014, o prevalecimento da pressão alta em mais de 135 povos indígenas no território nacional. No Amazonas, o número de etnias analisadas chega a 24.

“Não fizemos um estudo de uma etnia específica. Nossa pesquisa mostra a prevalência de hipertensão arterial dos indígenas Ianomâmi, Suruí, Tembé, Amondaua, Parkatêjê, Suruí, Terena, Zoró, Suyá, Kalapalo, Kuikuro, Matipu, Nahukwá, Mehináku, Waurá, Yawalapití, Guarani, Tupinikin, Suruí, Xavantes, Khisêdjê, Guaraní-Mbyá, Kaingangs, Aldeia Jaguapiru e de um estudo de abrangência nacional, interétnico, que incluiu 113 etnias indígenas do País”, disse Zilmar Filho.

A proposta do trabalho, com conclusão prevista para 2016, é avaliar os fatores de risco cardiovascular, com ênfase para a hipertensão arterial em uma etnia específica no Amazonas. Segundo ele, os resultados parciais do projeto de pesquisa indicam uma prevalência alta e variada da hipertensão arterial em indígenas, no período de 1970 a 2014.

“Neste estudo, foram incluídos 23 artigos. Houve ausência de hipertensão nos indígenas em dez estudos e as prevalências foram crescentes e variadas, atingindo níveis de até 29,7%. A prevalência combinada de hipertensão nos indígenas no período de 1970 a 2014 foi de 6,2%. Na regressão, o valor da razão de chances foi de 1,12, indicando aumento de 12% a cada ano, na chance de um indígena apresentar hipertensão arterial”, disse o pesquisador.

Segundo Zilmar Filho, após comprovar a prevalência da hipertensão arterial em povos indígenas brasileiros o objetivo do projeto de pesquisa é contribuir para a elaboração de políticas públicas.

Sobre a hipertensão arterial

De acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), a hipertensão, comumente chamada de pressão alta, ocorre quando a pressão arterial chega a igual ou maior que 14 por 9.

A hipertensão acomete uma em cada quatro pessoas adultas. Assim, estima-se que atinja em torno de 25% da população brasileira nessa faixa etária, chegando a mais de 50% após os 60 anos e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil. Atualmente, é a responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal.

* Com informações da assessoria de imprensa

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