Grande parte das queimadas registradas no AM foram originadas em invasões

Levantamento revelou que maior parte das queimadas na RMM não partiu da RDS Rio Negro, mas de invasões na AM-070

queimadas

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) analisados pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) apontam que a maior parte dos incêndios nas florestas próximas a Manaus não partiu de comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, e sim de invasões em ramais próximos à estrada AM-070, que liga a capital a Iranduba e Manacapuru. Na RDS, entre os dias 1º de janeiro e 16 de outubro, 230 focos de incêndio foram registrados nestes ramais e apenas quatro em duas comunidades ribeirinhas, das 19 existentes.

A análise faz uma comparação entre os focos de calor na região da rodovia e os registrados em até 2 km de cada uma das comunidades que margeiam o Rio Negro, com base nos dados disponíveis publicamente no Portal do Monitoramento de Queimadas e Incêndios, do Inpe (www.inpe.br/queimadas).

Nessas comunidades vivem 1,9 mil pessoas beneficiadas pelo Programa Bolsa Floresta, que promove o engajamento dos ribeirinhos por meio de componentes que trazem benefícios sociais para as comunidades, apoio ao associativismo, além de atividades de produção e geração de renda. A adesão ao Programa requer o compromisso de utilizar boas práticas agroecológicas de prevenção de queimadas, além da participação de oficinas e capacitações em mudanças climáticas e serviços ambientais, e permanência ou ingresso dos filhos na escola.

Engajamento

Para o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, o baixo índice de incêndios nas comunidades é reflexo das ações de educação ambiental realizadas. “Um dos compromissos que os participantes do Bolsa Floresta assumem é o cuidado no uso do fogo. Isso envolve usar aceiros nos roçados e evitar o uso do fogo em períodos muito secos, como ocorreu agora”, explicou.

A fumaça que encobriu Manaus durante o mês de outubro se deve a incêndios florestais, e ocasionou sérios problemas à saúde em níveis alarmantes, a exemplo da poluição que costuma ser registrada em Pequim, Cidade do México e Santiago, as maiores do planeta. A falta de equipamentos que meçam a quantidade de poluição torna ainda mais grave a situação na Região Metropolitana de Manaus.

Outubro teve 151% mais ocorrências

No mês de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 2.392 focos de incêndio no Amazonas, um aumento de 151% em relação ao registrado no mesmo período do ano passado. Em 17 anos, este é o terceiro maior índice de queimadas registrado no Estado, perdendo apenas para setembro, com 5.882 focos, e agosto, com 4.548 registros. Os recordes são todos de 2015.

O secretário de Estado do Meio Ambiente, Antonio Ademir Stroski, informou que o volume de chuvas para outubro, novembro e dezembro não será suficiente para cessar as queimadas nas florestas. “É um ano atípico e o combate às queimadas deve se estender até o final do ano”.

Os municípios de Autazes, Apuí, Parintins, Lábrea e Barreirinha lideram o ranking de focos de queimadas no Amazonas. Na Região Metropolitana de Manaus (RMM), Careiro Castanho e Manaquiri estão no topo do ‘ranking’.

Em números

103. 086 hectares é o território da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, na Região Metropolitana de Manaus. A RDS possui 1,9 mil moradores, divididos em 557 famílias, e engloba os municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.

Fonte: A Crítica

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