Ciclo nutritivo do solo é monitorado por pesquisadores na floresta de várzea

A dinâmica florestal da Amazônia possui uma série de características típicas. As chuvas, o relevo, a temperatura, os tipos de vegetação, entre outras variantes, interferem no retorno de nutrientes ao solo. Visando compreender o processo de ciclagem de nutrientes na floresta de várzea, pesquisadores do Instituto Mamirauá desenvolvem estudo sobre a produção de serapilheira em diferentes áreas na Reserva Mamirauá. A serapilheira é a camada de cobertura do solo, formada por folhas, galhos, flores, frutos, sementes, e até resíduos animais que se depositam na região. E possui um importante papel no retorno de nutrientes ao solo, configurando-se como um dos principais componentes do ecossistema florestal.

De acordo com a pesquisadora Fabiana Ferreira, do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, os objetivos do trabalho são quantificar e comparar a produção de serapilheira ano a ano, nos diferentes ambientes da reserva, e também quantificar e comparar as taxas e a velocidade de decomposição durante o período da seca e da cheia.

“A serapilheira contém um estoque relevante de carbono, nela está acumulada uma quantidade até três vezes maior que na atmosfera. Esta camada possui o fundamental papel de regular o fluxo de carbono e nutrientes que se localizam entre a vegetação e o solo”, contou Fabiana.

Para realizar o estudo, foram instalados 60 coletores, dispersos em três diferentes ambientes da Reserva Mamirauá: várzea alta, várzea baixa e chavascal. Os coletores são monitorados mensalmente, quando o material é retirado para triagem e análise. O material é separado em frações, caracterizado na pesquisa por folhas, galhos, material reprodutivo e miscelânea, para comparação da produtividade de cada ambiente.

A análise do primeiro semestre de 2015 demonstrou que o chavascal foi o ambiente de maior produtividade, seguido da várzea alta. No material coletado, a maior porção foi de folhas, seguida de galhos. A pesquisadora ressalta que “os resultados obtidos até o momento evidenciam a importância do estudo sobre a dinâmica da serapilheira no ambiente de várzea, já que podem contribuir para a elaboração de projetos de manejo ou conservação”.

Outra etapa do projeto é o monitoramento da quantidade de matéria orgânica que é absorvida pelo ambiente. Para isso, foram instaladas 240 bolsas no período da seca, essas bolsas foram feitas de tela de nylon, preenchidas com 10 gramas de folhas. As bolsas foram deixadas em pontos específicos no chão da floresta. A cada mês, duas bolsas são recolhidas, limpadas, secas e pesadas, para análise da quantidade de relocação de matéria orgânica para o solo. No início do período da cheia serão instaladas mais 300 bolsas de decomposição, para que assim, seja comparada a velocidade de decomposição nos períodos de seca e cheia. Essas ações são financiadas pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.

Por: Amanda Lelis
Fonte: Instituto Mamirauá

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